Assistentes sociais de Santos reivindicam vacina contra a Covid-19

Categoria reclama que não conta com a sensibilidade das secretarias de Saúde e de Governo, além da Procuradoria santista

A luta por vacinação não atinge só os coletores e coletoras da limpeza urbana, conforme publicado pelo Diário no último sábado (15). Em Santos, especificamente, trabalhadores da assistência social informam que têm, sem sucesso, procurado o Poder Público para obter a vacinação necessária.

“Contrariamente a outros municípios da região metropolitana da Baixada Santos (São Vicente, Praia Grande, Guarujá), temos recebido negativa para a imunização”, informa uma funcionária, que não quer ser identificada, pois trabalha em um equipamento da Prefeitura.

A categoria informa que foi aberto processo de solicitação de vacinação que tramitou nas secretarias de Saúde e de Governo, além da Procuradoria do Município, mas não houve sensibilidade do poder público.

MANIFESTO.

Inconformados, um grupo de assistentes resolveu publicar um manifesto que já está nas redes sociais. Segundo informa, cerca de mil funcionários, incluindo terceirizados, atendem 53.251 famílias cadastradas no Cadastro Único (CADÚnico).

Destas, 23.814 pessoas vivendo em situação de extrema pobreza. Um trabalho que exige contato direto com as pessoas em tempos de pandemia.

“Os nossos serviços são essenciais e prioritários, servimos a população mais carente que sofre com listas de espera de CADÚnico na ordem de 700 pessoas. Esse represamento possivelmente impedirá o acesso das famílias ao Programa Nossa Família. Programa que procura levar às famílias um alento neste momento de tantas necessidades e aflições que estamos atravessando”, afirmam os assistentes.

O manifesto online explica que um trabalhador ou usuário com Covid-19 num abrigo faz com que outros se contaminem e se instalem verdadeiros regimes de exceções, haja vista os fatos ocorridos 2020 e 2021 – falecimento e afastamento de até 70% da equipe de base no abrigo de crianças e adolescentes.

“Muitos trabalhadores, mesmo com medo, se submetem a retornar aos postos de trabalho, mesmo temendo a contaminação, pois há perdas significativas em seus salários com a permanência em seus lares, fazendo com que o ‘fique em casa’, não seja uma opção”.

Segundo lembram, os vereadores, sensibilizados com a possibilidade de um caos nos serviços de acolhimento e atendimentos de crianças, adolescentes e adultos, vêm protocolando requerimentos favoráveis a vacinação dos trabalhadores da assistência social na Câmara, e não vêm obtendo respaldo do Executivo.

PREFEITURA.

A Prefeitura de Santos esclarece que os municípios só podem vacinar os públicos já priorizados pelo Governo do Estado na campanha de vacinação contra a Covid-19.

Informa que os município apenas aplica as doses para o público o Estado determina e nenhum município tem autonomia para vacinar públicos não priorizados pelo Estado.

E que os trabalhadores da Assistência Social ainda não foram contemplados, conforme a última atualização do documento técnico de vacinação contra a Covid-19, sendo esse um pleito que deve ser encaminhado ao Governo do Estado.