Audiência pública debate ação da PM dentro da Unifesp

Debate, promovido pela comissão de Direitos Humanos da Câmara, contou com a participação de policiais militares e membros da universidade

Uma audiência pública foi realizada na noite de ontem, na Câmara de Santos, para debater fatos ocorridos durante a audiência pública  para debater o Plano Estadual de Educação em Direitos Humanos de São Paulo, realizada no campus da Universidade  Federal de São Paulo (Unifesp) Baixada Santista, na Rua Silva Jardim, na Vila Mathias, na última sexta-feira (11).

A audiência foi feita a pedido da Comissão de Defesa dos Direitos da Cidadania e dos Direitos Humanos do Legislativo santista, e presidida pela presidente da comissão, a vereadora Telma de Souza (PT).

Segundo nota da Associação dos Docentes da Unifesp (Adunifesp), o campus foi ocupado por policiais, muitos fardados e inicialmente ­armados. 

Ainda de acordo com a nota, os policiais defendiam a proposta de eliminar conteúdos fundamentais à educação pública. Segundo os docentes, quando o texto-base do Plano Estadual de Educação em Direitos Humanos foi à votação, os policiais passaram a agredir verbalmente professores e estudantes, além de filmar e fotografar os que votavam contra as posições por eles defendidas.

A audiência foi tumultuada e por diversas vezes fugiu do objeto central da discussão.

Wenderson Gasparotto, vice-presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana do Estado de São Paulo (Condepe), responsável pela audiência realizada na Unifesp, destacou que esteve com todas as autoridades envolvidas para que seja feita uma apuração.

“Não é admissível que, dentro de uma audiência de Direitos Humanos, alguém seja ameaçado. Se isso ocorreu, eu tenho certeza que os responsáveis por isso, policiais ou não, vão responder no rigor da lei”.

Gasparotto também pediu que pessoas que estiveram presentes e que quiserem dar o depoimento podem procurar o Condepe.

Rodrigo Medina Zagni, presidente da Adunifesp, colocou que os policiais se portaram como tropa, bradando palavras de ordem e não parecendo dispostos a discutir conteúdo.

“Não há problema em bradar palavras de ordem, mas com franqueza e disposição para colher o dissenso… Não foi o que aconteceu no último dia 11. Eu particularmente, estou bastante entristecido”, comentou Zagni.

Um policia militar, que se identificou apenas como José Carlos, disse que esteve presente na reunião e colocou sua visão dos fatos.

Segundo ele, não houve truculência por parte dos policiais presentes.

“A polícia chegou lá, todos à paisana. Eu estava lá no meu horário de folga, sem uniforme. Deixei minha família em casa para participar porque era de interesse da Polícia Militar e meu interesse. Fomos recebidos pelos alunos com faixas ‘Fora Temer’ e ‘Liberdade para Rafael Braga’. Quem é Rafael Braga? É um rapaz que foi preso com coquetel molotov no Rio de Janeiro, e depois foi preso por tráfico de entorpecente”, comentou o policial.

Já o coronel aposentado da Polícia Militar Eli Fraga do Rego destacou que se houvesse um excesso por parte dos policiais, “existiria uma matéria no Fantástico (TV Globo) no fim de semana seguinte”, uma vez que “vivemos na era da informação”.

Rego ainda fez uma defesa da Polícia Militar ao dizer que a instituição é excessivamente ­transparente.

“Aquilo que o policial pratica de erro, ele sofre uma sanção, um processo administrativo para apurar, e se for crime, ele vai responder perante a Justiça e finda, muitas vezes, perdendo a sua ­graduação”.