Especialista aponta que bebida mais consumida na virada é vilã para o coração

Além do açúcar, o cardiologista destaca a combinação de químicos que intensifica a inflamação e desregula o metabolismo

Segundo um estudo, cada porção de refrigerante adoçado com aspartame pode reduzir até 12 minutos de vida

Segundo um estudo, cada porção de refrigerante adoçado com aspartame pode reduzir até 12 minutos de vida | Pexels

Muitos fatores influenciam a saúde do coração e podem prejudicar sua função primordial de bombear o sangue para o corpo, e a atenção deve ser constante.

O sedentarismo e a má higiene bucal são problemas conhecidos, mas a alimentação se destaca quando inclui itens ultraprocessados, ricos em gorduras, sal e, notadamente, grandes quantidades de açúcar.

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Por que os refrigerantes são o alvo

Para esclarecer o papel das bebidas nesse cenário de risco, o cardiologista Rafael Marchetti foi questionado sobre qual seria a pior opção para a saúde do órgão. O Dr. Marchetti, que tem grande experiência e é membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), confirmou que há diversas bebidas potencialmente danosas ao coração.

Contudo, ele elegeu os refrigerantes como a principal ameaça, especialmente as variações que são altamente açucaradas, devido à composição que oferecem ao consumidor. Essa bebida concentra altas doses de açúcar, junto com diversos aditivos químicos e, em certas fórmulas, também inclui a presença de cafeína.

Em sua análise, o cardiologista afirma que o principal problema, o “maior vilão,” é o “açúcar em grande quantidade,” que muitas vezes está incorporado na forma de “xarope de milho com alto teor de frutose”.

O especialista, que também é pós-graduado em medicina do exercício e do esporte, classifica os “refrigerantes adoçados são verdadeiros ‘agressores silenciosos’ do sistema cardiovascular”.

O perigo da sobrecarga metabólica

O mecanismo de prejuízo começa quando o excesso de açúcar leva à elevação dos níveis de glicose no sangue, forçando o pâncreas a trabalhar de forma extenuante e sobrecarregada.

Essa sobrecarga repetitiva é o que favorece o surgimento da resistência à insulina, condição que está intimamente ligada a doenças metabólicas de longo prazo.

A resistência à insulina, por sua vez, contribui para a instalação de um estado de inflamação que se torna crônica no organismo, um fator de desgaste silencioso. A presença dessa inflamação contínua causa o desgaste das artérias ao longo do tempo de consumo, aumentando significativamente os riscos de quadros clínicos graves.

O desgaste arterial provocado pela inflamação eleva a probabilidade de hipertensão e também o risco de um infarto, além de outras doenças cardiovasculares que comprometem a qualidade e a expectativa de vida.

O consumo de refrigerante é um agente que desencadeia diretamente essas condições perigosas, sendo uma escolha alimentar que cobra um preço alto da saúde.

A sinergia de aditivos e gordura

O Dr. Marchetti ressalta que a combinação de conservantes, corantes e outros aditivos químicos, somada à enorme quantidade de açúcar, potencializa o quadro inflamatório e desregula o metabolismo.

Ele adverte que essas bebidas contêm corantes e aditivos que são compostos tóxicos para o organismo, sem oferecer qualquer nutriente benéfico.

O açúcar, além de causar inflamação, eleva os níveis de triglicerídeos no sangue, e potencializa o acúmulo de gordura visceral, que é uma gordura especialmente ligada a complicações cardíacas.

Esse cenário cumulativo contribui para o avanço da aterosclerose, que é caracterizada pela formação de placas de gordura nas paredes das artérias.

Os refrigerantes, ricos em aditivos e açúcar, afetam a saúde do coração de forma agressiva e exigem cautela. A aterosclerose, se não for tratada e controlada, pode progredir para pressão alta persistente, insuficiência cardíaca crônica e, como consequência mais grave, levar ao surgimento de arritmias perigosas, conforme a conclusão do cardiologista.

É inegável que a má alimentação prejudica o funcionamento do órgão vital. Portanto, a escolha consciente de evitar refrigerantes açucarados é um passo fundamental para proteger o coração contra o desgaste progressivo que essa bebida provoca.