Busca por autodefesa tem crescido entre as mulheres

Krav Maga, arte marcial que ensina maneiras de usar a força do oponente contra ele mesmo, atrai público feminino

Há cerca de nove anos, Carolina de Almeida foi surpreendida por um homem em uma rua da cidade de Praia Grande. Ele a agarrou por trás e a suspendeu do chão. Para se livrar, Carolina se debateu o quanto podia e conseguiu golpear com a própria cabeça o queixo do homem. Ele bambeou, a soltou no chão e ela correu. Correu o quanto podia para escapar de um estupro e salvar a própria vida.

O terrível momento passou, mas os traumas não. O medo e as lembranças tornaram o costumeiro ato de sair na rua, impensável.

“Não conseguia mais andar sozinha nem para ir ao trabalho. Fiz muitas sessões de terapia, mas nada ajudava. Então comecei a pesquisar na internet maneiras de me defender e achei o Krav Maga”.

Krav o que?

“Esta é a pergunta que quase todo mundo faz quando ouve pela primeira vez o nome da arte marcial israelense que ensina defesa pessoal”, diz Carolina, hoje a primeira mulher a se tornar instrutora da modalidade no Brasil.

Ela garante que a prática é a mais efetiva para mulheres que querem aprender como se defender. Nas aulas são ensinadas técnicas de torção, quebramento, defesa contra estrangulamento, pegada no cabelo, e até mesmo como um dedo no olho ou na garganta é capaz de impedir o agressor.

“O Krav Maga promove qualidade de vida através da segurança que a mulher sente ao saber que consegue se livrar de qualquer coisa que coloque a vida dela em risco”.  Com dedicação, em seis meses é possível ter noção de como agir em uma situação perigosa.

No Brasil, a busca pela modalidade ainda é maior por parte dos homens, mas a presença feminina nos tatames tem crescido, afirma Carolina.

Medo de ataques é o principal motivo

A Reportagem acompanhou uma aula de Krav Maga e conversou com as mulheres que treinam com Carolina. Quase todas optaram pela modalidade após sofrer alguma tentativa de violência urbana.

Roberta Nachif, adepta há um ano, decidiu aprender a técnica depois que um homem a agarrou, em pleno dia, no bairro Pompeia, em Santos. Ela escapou, mas o episódio a levou ao tatame.

A engenheira Mayla Diotti, 31 anos, entrava de madrugada em uma empresa no Porto de Santos. “Era a responsável por abrir o escritório. Comecei a ficar com medo e um amigo me indicou a aula”.

Já Alessandra Rodrigues começou a treinar depois que a filha, Fernanda Rodrigues, de 16 anos, brigou na escola. “Ela quis aprender para não passar mais pela mesma situação e eu vinha acompanhar. Gostei tanto que comecei a fazer também. Adoro, a gente muda até a nossa postura na rua, fica mais atenta”.