Cachorro ferido precisa de doadores de carinho

Após ser atropelado por um trem, o animal vai precisar amputar as patas traseiras. Com medo de ele entrar em depressão, o remédio que mais precisa agora é amor

“Preciso de pessoas para ficar com o Tobinho no colo”. O pedido diferente foi feito por Marilucy Pereira e viralizou nas redes sociais. Presidente da ONG Viva Bicho, em Santos, e dona da Clínica que funciona no local, Marilucy nunca tinha feito algo parecido. Após ser atropelado por um trem, o animal vai precisar amputar as patas traseiras. Com medo de ele entrar em depressão, o remédio que mais precisa agora é carinho.

O acidente aconteceu depois que o cachorro tentou seguir seu dono que saiu para trabalhar. “O dono mora na Vila dos Pescadores em Cubatão e não viu o Tobinho seguindo ele”, conta Marilucy. O cachorro ficou embaixo do trem em movimento e, quando conseguiu sair, teve suas patas traseiras dilaceradas.

O dono chegou a levar o animal em dois locais. No primeiro disseram que nada poderia ser feito; no outro, o valor era inviável. Por isso, ele mesmo fez os curativos. Quatro dias depois do acidente, uma moradora da Vila dos Pescadores – que levou seu cão para uma cirurgia na clínica – contou a história para Marilucy. “Imediatamente pedi pra ela trazer o Tobinho sem nenhuma despesa para o dono”.

No dia seguinte, “ele chegou completamente desidratado e com muita infecção. Estava apático, talvez pela dor que sentiu e estava sentindo. As duas patinhas de trás completamente dilaceradas, a ponto de a veterinária mexer e cair fragmentos de ossos. Já em processo de putrefação”, relembra.

Como perdeu muito sangue, a cirurgia ainda precisa esperar. “Ele precisa de atenção, de alguém para segurar e mimar, do resto ele está sendo bem assistido”, explica ­Marilucy.

Por conta da rotina intensa, os funcionários da clínica não conseguem dedicar muito tempo a ele, por isso o pedido foi feito. “Ontem, cerca de trinta pessoas vieram aqui”, comemora.

O dono também tem ido à ONG todos os dias. “Muita gente pergunta se ele vai voltar para o dono e tenho percebido que eles se gostam muito”, esclarece. “A gente lida com cães de população carente aqui. O cachorro não deve ficar solto, mas essa não é a realidade de muitos e não podemos ­afastá-los por isso”.

Pedido atendido

A nutricionista Giovana Canno foi marcada por uma amiga na publicação feita por Marilucy e se prontificou a ser ‘um dos colos’ para Tobinho.

“Me emocionei bastante. Em uma hora e meia que fiquei lá, oito pessoas foram visitá-lo”, comenta. “Ele treme muito e está um pouco agitado, mas, segundo o ­pessoal da ONG, já melhorou. Ficou no colo, pediu carinho, nos lambeu e brincou bastante”, ­completa.

Evelise Aguião é mestre em reiki e, além do carinho, aproveitou para realizar a prática no animal. “Os animais são muito sensíveis e se eles não estiverem bem emocionalmente, nenhum remédio vai adiantar”, explica.

Ajuda constante

Tobinho já ganhou um carrinho e uma prótese. Após a cirurgia, a equipe vai verificar qual será a melhor opção. Por ser um processo de recuperação demorado, Marilucy estima que ele fique mais um mês na clínica. Por isso, precisará de carinho constante.

Quem quiser ajudar, deve ir à Clínica Viva Bicho, que fica na Rua Silva Jardim, nº 333, na Vila Mathias, em Santos. Não é preciso agendar, basta comparecer de segunda à sexta-feira das 9 às 18 horas e aos sábados das 9 às 12 horas.