Caminho entre Santa Cruz e Góes, em Guarujá, ganha nova proposta

Administração Municipal também tem estudo para recuperar o caminho

Profissional de Educação Física, especializado em crianças com necessidades especiais, e apaixonado pela natureza, Cristiano Torres, que mora em Santos, afirma que sempre sonhou em melhorar a orla das praias de Santa Cruz dos Navegantes e Góes, em Guarujá, dando um uso turístico e ecológico aos caminhos que as unem, dividido pela Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande.

“Com as trilhas tanto pela área costeira quanto por cima do morro, os caminhos são incríveis, com um visual de toda a orla de Santos. Sem contar o contato direto com a Mata Atlântica. Neste sentido, é possível fazer construções de trilhas usando madeiras especiais, fazendo um apoio de proteção da ribanceira. Em cada ponto das trilhas, pode ser explorado por uns três quiosques, com vendas de frutas e comidas típicas caiçaras”, revela uma de suas propostas.

O professor acredita que medidas simples poderiam gerar empregos, como guias turísticos, guardas ambientais e profissionais de esportes ecológicos, com atrações que funcionariam o ano todo e até com excursões. “O necessário seria um projeto discutido com a sociedade para buscar investidores. Temos centenas de modelos de construções ecosustentáveis pelo Mundo à fora. Poderia até abrir concurso para arquitetos”, idealiza.

O professor disse que, há três anos, chegou a propor um projeto para ex-vereadores de Guarujá, mas a proposta não foi para frente. “Tanto Santa Cruz como Góes têm potenciais históricos, culturais e ecológicos enormes. É preciso priorizar as comunidades caiçaras e periféricas”, finaliza.

PREFEITURA.

A Secretaria de Planejamento (Seplan) de Guarujá já havia informado que há um estudo para recuperar o caminho entre as praias de Santa Cruz dos Navegantes e Góes, em Guarujá, muito importante para dezenas de caiçaras que moram principalmente na segunda, em termos de abastecimento, assistência médica e transporte público.

“O projeto executivo ainda será definido. Em razão da pandemia, o projeto Ouvidoria Itinerante foi interrompido e deverá ser retomado em breve. Tão logo as atividades sejam normalizadas, a Prefeitura retomará o assunto para verificar a viabilidade de execução das melhorias na região”, garante.

A demanda é bastante necessária. Recentemente, em um vídeo postado nas redes sociais e encaminhado à Reportagem do Diário, um morador de Guarujá percorreu o que restou do caminho entre as praias mostrando os perigos aos quais dezenas de moradores são submetidos diariamente, entre eles estudantes.

Castigado pelas ressacas e pela falta de manutenção, em muitos trechos, o caminho submete as pessoas ao risco de uma queda de dezenas de metros de altura. “Se a pessoa não morrer na queda ao bater a cabeça e pedras, morre afogada. Não existe qualquer contenção. Quando chove, trechos de menos de um metro e cheios de pedras ficam escorregadios. O caminho é a única forma terrestre de acesso curto entre as duas praias quando o mar está revolto”, alerta.

Em agosto de 2019, o Diário já havia alertado sobre a questão. Os moradores da Praia do Góes acreditavam que as constantes dragagens, promovidas pela antiga Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), com o objetivo de aprofundar o canal do Estuário para mantê-lo navegável para grandes navios, não só destruíram o caminho, mas também diminuíram a faixa de areia, enlamearam o mar e são responsáveis pela subida da maré, que invade casas e pequenos comércios. Barcos também estão tendo dificuldades para atracar pois o mar ficou mais revolto.

Após o alerta dado pela Reportagem a Prefeitura de Guarujá promoveu uma incursão no local para obter informações dos moradores e, ainda, apresentar o pré-projeto de uma passarela elevada e iluminada, ligando o Góes à ao bairro de Santa Cruz dos Navegantes. Também apresentou um projeto de fossa séptica. A passarela tem por objetivo repor o Caminho do Góes, uma trilha encostada nas pedras, de cerca de 800 metros, construída pelos moradores e destruída pelas ondas.

CODESP.

A Santos Port Authority (SPA), antiga Codesp, já se manifestou, garantindo que, desde 2010, em atendimento ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), monitora o comportamento morfossedimentar das praias, incluindo a do Góes, onde foram efetuados estudos aprofundados complementares para avaliar com mais detalhe os fenômenos, cujos resultados indicam que a obra de dragagem de aprofundamento não se configura no agente causador dos processos erosivos e deposicionais observados.

A Codesp disse que iria continuar o monitoramento, em atendimento à Licença de Operação do Porto Organizado de Santos. Com relação à recuperação do Caminho do Góes, entende ser de responsabilidade da municipalidade. (Carlos Ratton)