Chuvas prejudicam qualidade do trigo e preço do pão pode sofrer no Brasil

Brasil vai precisar importar 33% mais trigo em 2024

Chuvas em excesso no Sul do País no segundo semestre de 2023 prejudicaram a qualidade do trigo colhido nacional 

Chuvas em excesso no Sul do País no segundo semestre de 2023 prejudicaram a qualidade do trigo colhido nacional  | MELISSA ASKEW / UNSPLASH

As chuvas intensas que caíram sobre os três estados da Região Sul no segundo semestre de 2023 reduziram a qualidade do trigo nacional para a safra 2023/24. Inadequado para produção de farinha para panificação e produção de massas, parte desse cereal acabará virando ração para animais. Resultado: o Brasil terá de importar quase a metade de todo trigo que consome em 12 meses. Isso significa que será preciso buscar no exterior seis milhões de toneladas do cereal. E isso acontecerá justamente em um ano de redução na oferta global de trigo, após quatro anos consecutivos de crescimento.

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Resumo: a tendência é que os preços de pães e massas fiquem pressionados ao longo do primeiro semestre deste ano, com risco de impactos negativo na inflação e, consequentemente, no orçamento das famílias. Mas, a extensão dessa quebra na safra será amenizada pelo fato de o País abrir o ano com um dos maiores estoques dos últimos anos.

Portanto, a variação do dólar e o consumo interno definirão o comportamento do setor. Se o apetite estiver aquecido nos seis primeiros meses do ano, a tendência é de preços mais altos. 

Essas previsões levam em conta a estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para o período agosto/23 a julho/24. O volume de trigo importado deverá crescer 33% na comparação com a temporada anterior. Na safra 2022/23, o Brasil registrou uma colheita recorde de trigo, com mais de dez milhões de toneladas, para um consumo interno em torno de 12 milhões de toneladas/ano.

Em contrapartida, o volume exportado pelo Brasil deverá cair. Segundo cálculos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), ligado à Escola de Agronomia da USP, esse montante chegará a 2 milhões de toneladas (entre agosto/23 e julho/24), 24,7% abaixo da safra anterior.