Com a chegada de um ciclone extratropical e ventos fortes previstos para os próximos dias, o mar vai virar de vez na Baixada Santista. Mas o impacto dessa frente fria vai muito além dos calçadões molhados e das praias vazias: ele pode chegar direto no seu bolso. Se você planejava comprar frutos do mar frescos no Mercado de Peixes de Santos ou no Guarujá para o fim de semana, é bom se preparar para uma queda na oferta e uma possível alta nos preços.
A matemática das peixarias é simples e cruel quando o tempo fecha. A ressaca afasta os barcos, reduz a quantidade de peixe fresco nas bancas e, com a alta procura (especialmente no período de Quaresma), os valores tendem a subir.
O efeito dominó do mar agitado
De acordo com os avisos meteorológicos da Marinha do Brasil, as ondas podem atingir alturas perigosas na costa paulista nos próximos dias. Isso afeta diretamente a chamada “pesca artesanal”.
- Barcos parados: Os pequenos pescadores, responsáveis por abastecer grande parte das bancas locais com pescadas, corvinas e sororocas, não conseguem navegar com segurança.
- Queda na oferta: Sem a chegada diária dos barquinhos aos atracadouros de Santos e São Vicente, o volume de peixe fresco cai drasticamente de um dia para o outro.
- Lei da oferta e demanda: Segundo dados históricos do Instituto de Pesca de São Paulo (IP-APTA), qualquer interrupção prolongada na atividade pesqueira costeira reflete nos preços finais ao consumidor. O peixe que chega, chega mais caro.
Como fugir da alta nos preços?
Para quem não abre mão do cardápio, a saída é a estratégia. A dica de quem trabalha nos mercados públicos da região é focar nos peixes de “pesca industrial” — barcos maiores que atuam em águas profundas e são menos afetados pelas ressacas costeiras, como o cação, ou apostar em estoques de peixes congelados que os comerciantes já garantiram antes da virada do tempo.
Seja como for, a regra de ouro para este fim de semana de tempo fechado no litoral é pesquisar bastante antes de fechar a compra.
