Comissão buscará soluções para desemprego na região

Grupo reunirá representantes de sindicados dos empregados, sindicatos patronais, universidades e das prefeituras das nove cidades da Baixada Santista; ação faz parte das metas estabelecidas pelo Condesb em fevereiro

Buscar soluções regionais e integradas com diversos segmentos para solucionar a questão do desemprego na Baixada Santista. Esta é a proposta do presidente do Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb), prefeito Alberto Mourão, de Praia Grande. Nesta terça-feira Mourão esteve reunido com representantes de 42 sindicatos e quatro centrais sindicais, além de diretores e docentes das universidades e faculdades da região. A ideia é criar um grupo com 36 pessoas (nove representantes de cada setor) para tratar o assunto e definir possíveis soluções para a questão.

“Essa ação faz parte das cinco metas estabelecidas no início do ano com os prefeitos das nove cidades para alavancar o crescimento da Baixada Santista. Para falarmos em desenvolvimento econômico é fundamental focarmos no combate ao desemprego, que tem números alarmantes na região e em todo Brasil”, destacou Mourão.

De acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o desemprego já atinge 14 milhões de brasileiros. A situação na Baixada Santista também é preocupante: a Baixada Santista perdeu 19,5 mil empregos em 2016. O número é 24,6% maior do que em 2015, quando 15,7 mil postos foram fechados na região.

O presidente do Condesb explica que é fundamental a união dos sindicatos, empresários, classe política e o setor universitário comprometido com a pesquisa, para buscar soluções que promovam melhorias e despertem o rearranjo do setor produtivo. Para Mourão, é importante e necessário que as cidades não dependam apenas de uma matriz econômica. “Precisamos fazer o rearranjo produtivo na Baixada Santista para enfrentar a situação de desemprego que foi agravada com a crise econômica. Temos que consolidar a Região Metropolitana, visando, em especial, o empenho para este realinhamento dos principais vetores econômicos”, disse.

Mourão afirma que houve “uma triste acomodação de gestores e da sociedade nas últimas décadas”, sem dar atenção ao avanço tecnológico e de uso e costumes, com concorrência crescente em todo o país, resultado da oferta dos mesmos serviços. “Essa acomodação provocou a queda econômica regional. Mas não vale agora apontar os problemas, e sim buscar soluções para alavancar o desenvolvimento econômico e a geração de empregos, seguindo esta linha de pensamento regional. É preciso dar um basta na cegueira regional, cobrar mais, para que tenhamos igualdade de investimentos, como tem ocorrido no interior de São Paulo e no Brasil por parte do setor ­privado”, conclui.

Soluções

Na visão de Macaé Marcos Braz de Oliveira, presidente do Sintracomos, que vem ajudando um forte movimento de desempregados em Cubatão, a Baixada Santista e litoral somam mais de 50 mil desempregados. Para ele, “algo precisa ser feito para minimizar o grave problema social, embora não se saiba claramente o quê”. Segundo ele, Santos tem 20 mil desempregados, seguida por Cubatão, com 10 mil, e São Vicente, com seis mil. Os sindicalistas devem se reunir na próxima segunda-feira (28), às 10h no Sintracosmos Santos para definir quais serão os nove representantes que irão compor a comissão.

Dentre as propostas já apresentadas para contribuir com a melhora da questão está o investimento na Economia Solidária, defendida por Newton Rodrigues, da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo. “Precisamos investir e capacitar os núcleos de economia solidária já existentes, além de estimular a criação de outros grupos. Precisamos de uma sensibilização maior do Poder Público para entender a pluralidade da economia”, aponta.

A proposta de Mourão é que a Comissão criada não se dissolva e funcione como uma sentinela do desenvolvimento em toda a região metropolitana. “Esse grupo fará reuniões paralelas com seu segmento e a previsão é que ao longo de um período a ser estabelecido a gente tenha soluções reais”, finaliza.