Comissão de transição em Mongaguá impede contrato milionário firmado por governo interino

MP acatou representação e determinou a suspensão imediata da compra sem licitação, que poderia comprometer ainda mais as finanças do município

Atuação da comissão de transição resultou na suspensão imediata de um contrato emergencial

Atuação da comissão de transição resultou na suspensão imediata de um contrato emergencial | Divulgação

A atuação da comissão de transição da prefeita eleita de Mongaguá, Cristina Wiazowski (Progressistas), resultou na suspensão imediata de um contrato emergencial no valor de R$ 2.842.432,00 firmado pela gestão do prefeito interino Luiz Berbiz de Oliveira, conhecido como Tubarão. O contrato previa a aquisição de kits de livros do “Projeto Ciranda Literária” e foi firmado sob o número 034/2025, sem processo licitatório.

A suspensão foi determinada por despacho do promotor de Justiça Rafael Viana de Oliveira Vidal, da 2ª Promotoria de Mongaguá, dentro do procedimento de número 0344.0000217/2025. O Ministério Público também deu um prazo de cinco dias para que o prefeito interino apresente explicações formais e comprove a paralisação do contrato.

No despacho, o promotor ressaltou que o atual prefeito exerce um mandato interino e transitório e que a justificativa de urgência não se sustenta, já que o ano letivo está em andamento há cerca de seis meses. A avaliação do MP é que a aquisição do material não se enquadra como despesa urgente e inadiável.

O promotor ainda advertiu que a contratação pode configurar ato de improbidade administrativa, conforme o artigo 10 da Lei 8.429/92, o que pode acarretar punições como perda da função pública, suspensão de direitos políticos por até 12 anos, multa e proibição de contratar com o poder público.

Austeridade e responsabilidade fiscal

Segundo o advogado Sandro Abreu, coordenador da comissão de transição, a prefeita eleita estabeleceu como princípio da nova gestão a transparência e o controle rigoroso dos gastos públicos. “A Comissão iniciou os trabalhos focada nessa transparência, zelando pela probidade na administração do Município”, afirmou Abreu.

Foi o próprio coordenador quem protocolou junto ao MP a Notícia de Fato que deu origem à investigação, apontando que a contratação emergencial comprometeria ainda mais as finanças da prefeitura. “O Município está com sérios problemas de ordem financeira e essa pretendida aquisição, realizada sem licitação, certamente agravaria ainda mais o quadro orçamentário e financeiro, que já vem sendo alertado pelo Tribunal de Contas”, destacou.

Além disso, o contrato em questão recebeu parecer contrário de um órgão técnico da própria administração municipal, o que reforça a ilegalidade do ato. Abreu reforça que, a menos de um mês do fim da gestão interina, não cabe à atual administração firmar compromissos financeiros de grande porte, exceto os estritamente indispensáveis.

Cristina Wiazowski assumirá a Prefeitura de Mongaguá no próximo dia 11 de julho. Até lá, a comissão de transição continuará monitorando os atos da atual gestão para evitar prejuízos ao erário e garantir que a nova administração inicie com responsabilidade e controle fiscal.

Resposta da Prefeitura

A Prefeitura de Mongaguá informa que a empresa em questão, contratada para o fornecimento de itens, apresentou documentação de exclusividade do produto. A Administração Municipal não efetuou o pagamento à empresa, portanto, não existe a necessidade de restituição do valor.

A Prefeitura tem o prazo legal de cinco dias para emitir uma devolutiva oficial, e o setor jurídico já efetua o estudo para responder ao Ministério Público.