Como não cair em cilada ao comprar peixe na Semana Santa, segundo especialista

Nutricionista explica como identificar pescado fresco e dá orientações para escolher e preparar o bacalhau com segurança na páscoa

Na hora da compra ou à mesa, o consumidor pode fazer uma avaliação inicial do alimento.

Na hora da compra ou à mesa, o consumidor pode fazer uma avaliação inicial do alimento. | Renan Lousado/DL

Às vésperas da Páscoa, período em que aumenta o consumo de peixes e frutos do mar, a atenção à procedência e ao frescor dos alimentos se torna ainda mais importante. Seja na compra para preparo em casa ou no consumo em restaurantes, alguns sinais simples ajudam o consumidor a identificar se o pescado está em boas condições, incluindo cuidados na escolha e no preparo do tradicional bacalhau.

De acordo com a nutricionista especialista em segurança dos alimentos e CEO da VeriFood, Júlia Grosso, peixes e frutos do mar exigem cuidados rigorosos por serem sensíveis à variação de temperatura. Segundo ela, qualquer falha no armazenamento, na exposição ou no serviço pode comprometer a qualidade e favorecer a multiplicação de bactérias, o que exige atenção redobrada, principalmente em períodos de calor e alta demanda.

Na hora da compra ou à mesa, o consumidor pode fazer uma avaliação inicial do alimento. Renan Lousado/DL

Na hora da compra ou à mesa, o consumidor pode fazer uma avaliação inicial do alimento. A recomendação é observar se o peixe apresenta cor viva, brilho natural, aparência firme e odor suave. “O consumidor pode começar pelo básico: olhar a aparência do peixe, perceber se ele está firme, com aspecto fresco e sem cheiro forte ou desagradável”, explica Júlia.

Há ainda o bacalhau, um dos principais protagonistas da Páscoa. Nesse caso, a especialista recomenda atenção a dois pontos principais: quando vendido seco e salgado, deve apresentar coloração uniforme, sem manchas, sem sinais de umidade excessiva e sem odor desagradável. Já nas versões dessalgadas ou refrigeradas, é fundamental verificar se o produto está mantido sob refrigeração adequada e dentro do prazo de validade.

Para dessalgar o bacalhau, lave-o em água corrente para remover o sal superficial. Renan Lousado/DL

Júlia acrescenta orientações importantes para escolher um bom bacalhau:

  • Cor e aparência: o legítimo é amarelo-palha (sinal de boa cura). Evite bacalhau muito branco ou com manchas vermelhas ou pretas.
  • Textura: ao segurar o bacalhau pela cabeça, ele deve ficar reto, quase rígido. Se dobrar, pode indicar excesso de água.
  • Manchas e sal: manchas escuras indicam restos de sangue ou bílis, sinal de má secagem. O ideal é uma leve camada de sal branco, sem pó amarelado ou acinzentado.
  • Rabo: deve ser reto ou quase reto. Evite peixes com bordas esbranquiçadas na ponta.

Como conservar quando chegar em casa?

  • Na despensa: mantenha o bacalhau em local fresco, seco e arejado, longe do sol e da umidade.
  • Armazene em um pote de vidro bem fechado ou envolto em pano limpo dentro de um saco de papel.
  • Na geladeira: em locais quentes ou úmidos, o ideal é guardar na geladeira, em embalagem hermética ou envolto em filme plástico, preferencialmente na parte menos fria.
  • Dica extra: se o bacalhau foi comprado em lascas ou desfiado, armazene diretamente no freezer para melhor conservação.

Como fazer um dessalgue seguro:

Para dessalgar o bacalhau, lave-o em água corrente para remover o sal superficial. Em seguida, coloque-o em um recipiente com bastante água gelada e mantenha na geladeira por 24 a 72 horas, trocando a água a cada 6 ou 8 horas. Para evitar choque térmico, uma dica é manter dois recipientes com água gelada na geladeira, garantindo que o peixe permaneça macio.

Dicas essenciais:

  • Refrigeração: sempre dessalgue dentro da geladeira para evitar que o bacalhau estrague ou adquira cheiro forte.
  • Pele para cima: coloque o bacalhau com a pele virada para cima para facilitar a saída do sal.
  • Proporção: utilize bastante água, idealmente duas partes de água para cada parte de bacalhau.