O mercado financeiro deu uma resposta rápida e vigorosa à tentativa de boicote contra a Havaianas. Nesta terça-feira (23), as ações da Alpargatas (ALPA4 e ALPA3) registraram forte alta, superando os 7% de valorização e recuperando todo o valor de mercado que havia oscilado negativamente no início da semana.
A polêmica começou no domingo (21), após o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o deputado Nikolas Ferreira criticarem a campanha de fim de ano da marca. No comercial, a atriz Fernanda Torres faz um trocadilho sugerindo que as pessoas não comecem 2026 com o pé direito, mas sim com os dois pés.
O jogo de palavras, focado em atitude e movimento, foi interpretado por políticos conservadores como uma provocação ideológica à direita brasileira. Entenda mais sobre o caso: Havaianas de esquerda? Entenda a polêmica entre a marca e os bolsonaristas.
Muito barulho, pouco resultado
Apesar da repercussão barulhenta nas redes sociais, que chegou a causar uma queda de 2,39% nas ações na segunda-feira, o que representaria uma redução teórica de R$ 152 milhões no valor de mercado, o impacto foi efêmero. No pregão seguinte, os investidores aproveitaram os preços baixos para comprar os papéis, fazendo a empresa valer mais do que antes da controvérsia começar.
Especialistas apontam que a Alpargatas operava em linha com os preços da última sexta-feira, provando que o mercado enxerga o episódio como um ruído passageiro. A escolha de Fernanda Torres para o comercial foi o principal alvo das críticas, especialmente após o sucesso internacional da atriz com o filme Ainda Estou Aqui, que aborda o período da ditadura militar.
Até o momento, a Alpargatas não emitiu comunicados oficiais sobre o boicote. A estratégia de silêncio parece ter funcionado para o mercado acionário, que foca na solidez da marca Havaianas, presente em quase todos os lares brasileiros e com forte penetração internacional.
O episódio reforça uma tendência comum na Bolsa de Valores, de que movimentos políticos nas redes sociais raramente conseguem abalar os fundamentos de grandes companhias no longo prazo.
