Descoberta de ouro de US$ 83 bilhões pode mudar o que sabemos sobre a formação da Terra

Depósito avaliado em 83 bilhões de dólares reacende debate científico sobre se o ouro veio de meteoritos ou do núcleo do planeta

A descoberta de toneladas de ouro na região central da China trouxe à tona novamente questionamentos sobre qual a origem dos minérios encontrados na Terra. O depósito aurífero está localizado na província de Hunan e é avaliado em cerca de 83 bilhões de dólares.

Teorias famosas há séculos afirmam que os minerais foram trazidos pelo bombeamento de meteoritos à superfície terrestre. Entretanto, uma nova hipótese sugere que isso pode ter acontecido por vazamentos do núcleo do planeta.

Galeria: o que torna o ouro tão valioso?

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O tesouro escondido em Wangu

As autoridades chinesas anunciaram recentemente que mais de mil toneladas de ouro podem estar sob o campo de Wangu. Esse depósito gigante desperta a curiosidade de geólogos em todo o mundo por ser uma reserva bilionária.

Atualmente, os cientistas sabem que quase todo o metal precioso do mundo está guardado no núcleo do nosso planeta. Quando a Terra se formou, elementos pesados como o ferro e o ouro afundaram para as camadas internas.

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Durante esse processo inicial, o ouro se comportou como um dos elementos “siderófilos”, que possuem afinidade com o ferro. Por essa razão, a maior parte da riqueza da Terra ficou selada a milhares de quilômetros abaixo de nós.

Uma explicação tradicional diz que os meteoritos trouxeram o ouro durante o Grande Bombardeamento Tardio. Isso teria acontecido há bilhões de anos, enriquecendo o manto com esses metais após o núcleo já estar formado.

Sinais de um núcleo que vaza

Porém, novas evidências sugerem que o núcleo pode estar “vazando” material para cima. Pesquisadores encontraram anomalias em rochas vulcânicas no Havaí que indicam uma mistura residual entre as camadas profundas.

Nessas anomalias, há presença de hélio primordial em plumas vulcânicas, o que reforça a ideia de que materiais antigos ainda chegam à superfície. A ciência ainda tenta descobrir se esse gás tem origem no manto ou no próprio núcleo.

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