Devotos e moradores celebram a padroeira de Itanhaém, no Litoral de SP

Um das festa religiosas mais importantes da Região reúne centenas de fiéis à Nossa Senhora da Conceição 

Imagem da Nossa Senhora da Conceição fará parte da solene procissão neste domingo, em Itanhaém

Imagem da Nossa Senhora da Conceição fará parte da solene procissão neste domingo, em Itanhaém | Nayara Martins/DL

A tradicional Festa da Padroeira Nossa Senhora da Conceição, em Itanhaém, acontece no próximo domingo (8), com a cerimônia religiosa, as missas e novenas que ocorrem desde o dia 29 de novembro, na Igreja Nossa Senhora da Conceição, no centro da Cidade. 

A celebração do Dia da Padroeira é uma das mais importantes com a presença dos fieis, todos os anos na Cidade. Um dos antigos moradores que participa dos festejos desde criança é o professor e historiador João Tadeu Bastos da Silva. Ele fala sobre a importância da celebração em louvor ao Dia da Padroeira para a população da Cidade.

“O Dia da Padroeira é uma das festas mais importantes junto com a Festa do Divino Espírito Santo. São os dois momentos de religiosidade popular em Itanhaém. A festa é celebrada há mais de 300 anos na Cidade e foi trazida pelos portugueses”, explica.

Ele lembra que desde que foi construída a Ermida, uma pequena capela no Convento Nossa Senhora da Conceição já existia essa devoção à Nossa Senhora. Segundo Tadeu, a devoção era pela Virgem de Anchieta, que está na Igreja Matriz, sendo mais antiga que a da Nossa Senhora da Conceição, em Itanhaém.

“Antigamente, havia a alvorada que era uma salva de 21 tiros que ocorria durante a madrugada e marcava o início da Festa. As novenas aconteciam todas as noites no Convento, mas havia apenas as novenas, hoje ocorrem as missas após”, completa.

Segundo ele, as novenas eram bastante solenes e rezadas em latim. Havia ainda o coro regido pelo maestro Totó Mendes. “Nos três últimos dias da novena vinha uma Orquestra de São Paulo, acompanhada de violinos e violoncelos”, lembra. 

Na época eram cantadas pelo coro as Ave Marias, por três vezes, e o povo respondia. As músicas eram compostas pelo maestro Totó Medes. E também as ladainhas de Nossa Senhora e, no final, a jaculatória, uma oração curta e repetida várias vezes pelo coro. 

Entre as devotas mais antigas que participavam do coro, Tadeu cita a moradora Maria Pureza Leal Diz, que cantou por mais de 50 anos, e dona Terezinha Gatto, já falecidas. 

A Irmandade Nossa Senhora da Conceição é a entidade que organiza a Festa da Padroeira desde o ano de 1553. “A Irmandade tem um papel fundamental, sendo uma das primeiras Irmandades do Brasil. É a entidade quem organiza os festejos”.

Apesar de ter que subir a rampa do Convento, os devotos participavam durante os nove dias. A imagem Nossa Senhora da Conceição fica no Convento. Nos dias atuais, a imagem não desce mais para a Igreja na festa, por ser antiga, mas há uma réplica da santa.

Após alguns anos, as novenas passaram a ser realizadas na Igreja Matriz, no Centro. Hoje, como a Igreja Matriz está fechada para obras de restauração, as novenas acontecem na Nossa Senhora da Conceição. Tadeu lembra de objetos importantes e simbólicos da Padroeira, como a coroa, o medalhão e um par de brincos de ouro que pertenciam à santa.  

A Festa da Padroeira era prestigiada por muitos devotos que vinham de várias cidades, como de Santos, São Vicente, Santo Amaro e de São Paulo. Eles vinham de trem e desciam na antiga estação ferroviária.  

“As famílias que moravam na zona rural, como as do Rio Acima, também vinham e havia grande devoção à Nossa Senhora”, destaca.

Troca das imagens

Uma das histórias curiosas é que há três versões sobre a troca da imagem de Nossa Senhora da Conceição.  
Para Tadeu, a versão mais verdadeira é a do historiador e pintor Benedito Calixto, nascido em Itanhaém. 

“Calixto conta que as imagens das padroeiras foram encomendadas pelas cidades de Itanhaém e de São Vicente, mas ao chegarem de Portugal, houve a troca das imagens. Nossa Senhora da Conceição ficou em São Vicente e a de Nossa Senhora do Amparo em Itanhaém”, explica.

“Hoje durante as novenas restam poucas tradições, somente a Ave Maria e a jaculatória são cantadas. Não existe mais o tom solene de antigamente”, conclui.

Programação

A programação religiosa já começou com as novenas às 18 horas e as missas às 19h30 e vão até o dia 7 deste mês, na Igreja Nossa Senhora da Conceição, no centro.

No domingo (8), Dia da Padroeira, acontece a solene procissão que sairá às 9 horas da Praça Narciso de Andrade, no centro histórico, em direção à Igreja Nossa Senhora da Conceição. 

Às 10 horas será a missa solene com a presença do bispo Dom Tarcísio Scaramussa, na Igreja Nossa Senhora da Conceição e às 18 horas a Santa Missa.  

As apresentações musicais e a praça de alimentação acontecem até domingo (8), a partir das 18 horas, na Praça Narciso de Andrade, no Centro.