Cerca de 3 mil trabalhadores ligados às empresas Terracom, Terra Santos Ambiental e PG Eco Ambiental entraram em greve e podem comprometer os serviços de coleta de lixo e limpeza urbana em seis cidades da Baixada Santista.
A paralisação ocorre após divergências em relação aos valores pagos no Programa de Participação nos Resultados (PPR) referente a 2025. Os trabalhadores alegam que os valores depositados nas contas ficaram muito abaixo do esperado, o que gerou forte indignação na categoria.
A greve pode afetar os serviços em Bertioga, Cubatão, Guarujá, Praia Grande, Santos e São Vicente, cidades atendidas pelas empresas do Grupo Diniz.
Segundo o presidente do Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação, Limpeza Urbana e Áreas Verdes de Santos e Região (Siemaco Baixada Santista), André Domingues, conhecido como Fuzil, os trabalhadores questionam a discrepância entre os resultados da empresa e os valores repassados aos funcionários.
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“O PPR veio com valor abaixo do esperado e a empresa não explica o porquê. Os companheiros estão revoltados e com razão. Eles trabalham dia e noite, sob chuva e sol. A empresa teve lucros exuberantes e tem condições de bancar eventos em várias cidades, mas não paga um PPR justo”, afirmou o dirigente sindical.
De acordo com o sindicato, também há questionamentos sobre a falta de transparência nos critérios utilizados para o cálculo das metas e dos pagamentos.
Indignação entre trabalhadores
Nas redes sociais das empresas, trabalhadores e internautas relataram valores considerados irrisórios pagos como participação nos resultados.
Em um dos comentários, um usuário afirmou que alguns funcionários teriam recebido quantias simbólicas. “Vocês deveriam ter vergonha de pagar R$ 0,50 de PPR para um trabalhador. Isso não é reconhecimento, é desrespeito”, escreveu.
Outro trabalhador relatou ter recebido R$ 35,60, valor que, segundo ele, não seria suficiente sequer para custear uma refeição para a família.
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Também surgiram críticas sobre possível tratamento desigual dentro da empresa. Comentários apontam que, enquanto trabalhadores operacionais receberam valores considerados baixos, chefias teriam participado de sorteios de viagens em cruzeiros.
O que diz a empresa
Procurado, o grupo empresarial informou que tomou conhecimento de forma informal sobre a mobilização e que ainda não havia recebido comunicação oficial do sindicato.
Em nota, a empresa afirmou que realizou o pagamento do PPR conforme previsto no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) vigente.
Confira na íntegra o posicionamento da Terracom:
“A Terracom Construções, o Consórcio PG Eco Ambiental e a concessionária Terra Santos Ambiental informam que ingressaram com medida judicial no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região para contestar a paralisação anunciada pelo SIEMACO Baixada Santista nesta segunda feira, dia 16.
O movimento é considerado ilegítimo, pois não atende aos requisitos previstos na Lei de Greve nº 7.783/1989 para paralisações em serviços essenciais, como o prazo mínimo de comunicação e a garantia de manutenção das atividades indispensáveis à população.
A limpeza urbana é um serviço essencial, diretamente relacionado à saúde pública e ao bem-estar coletivo. A interrupção dessas atividades pode provocar prejuízos sanitários graves nas cidades.
A paralisação ocorre após questionamentos do sindicato sobre os valores pagos do Programa de Participação nos Resultados, referente ao ano base de 2025. As empresas esclarecem que o pagamento foi realizado em estrita conformidade com os Acordos Coletivos de Trabalho e com a Lei nº 10.101/2000, seguindo critérios e metas previamente estabelecidos e conhecidos pelo sindicato e pelos trabalhadores.
Os pagamentos do Programa de Participação nos Resultados questionados pelo sindicato foram regularmente efetuados pelo Grupo Terracom, dentro do prazo, na última sexta-feira, dia 13 de março.
O modelo de apuração dos resultados é aplicado desde 2014 e foi amplamente apresentado em reunião realizada no dia 10 de março de 2026, quando as empresas detalharam novamente os cálculos e indicadores utilizados ao SIEMACO.
Diante da ameaça de paralisação total dos serviços de limpeza urbana, as empresas recorreram ao Poder Judiciário para garantir a continuidade das atividades e a proteção da saúde pública nos municípios da Baixada Santista atendidos pelas operações.
As empresas reiteram seu compromisso com a transparência nas relações de trabalho, o diálogo permanente com os representantes da categoria e a continuidade de um serviço essencial para a população”.
