Trabalhadores das cooperativas de materiais recicláveis da Região continuam encontrando dificuldades para comercializar determinadas embalagens classificadas pelos fabricantes como reutilizáveis. O fato já foi tema de reportagem do Diário em 2017, após a série especial “Meio Ambiente – O Caminho do Lixo”.
As embalagens são aquelas de salgadinhos, biscoitos, café, garrafas de leite e cosméticos feitas com plásticos metalizados ou coloridos. O problema tem afetado também cooperativas de outras cidades, de acordo com Laércio Pereira, diretor comercial da Gauru Plásticos, cooperativa de Guarulhos. Ele é formado em logística comercial e faz pós-graduação em Gerenciamento de Resíduos.
Laércio explica que as garrafas de leite de determinadas marcas recebem uma película interna escura com objetivo de melhorar a conservação do produto, mas que inviabiliza a comercialização no mercado da reciclagem.
“A pigmentação usada neste tipo de embalagem encarece o processo de limpeza, entope máquinas, então ninguém compra este material das cooperativas porque é muito caro para transformá-lo em outra coisa. Vai tudo para os aterros sanitários”.
Já as embalagens de alimentos que possuem a parte interna metalizada, como as de salgadinhos, absorvem gordura e o processo de lavagem e moagem também fica mais caro.
Elas só são procuradas quando não passam pelo controle de qualidade das empresas e, por isso, nem chegam a embalar os alimentos. Limpas, são disputadas por fabricantes de cordas e fitilhos.
“A grande maioria das embalagens de cosméticos é colorida, recebe pigmentação rosa, branco leitoso, então o quilo é vendido por apenas R$ 0,40 porque encarece o processo de transformação desse material em um novo polímero. Já a pet cristal, aquelas transparentes, valem R$ 3,40 o quilo porque sempre tem comércio”, declara.
Solução
Laércio diz que uma possível solução seria que as empresas responsáveis por esses produtos, implantassem centrais de logística reversa por regiões, equipadas com as tecnologias que já são usadas em alguns países, capazes de transformar as embalagens descartadas em subprodutos, como cordas.
“Visitei cooperativas de materiais recicláveis de várias regiões e observei um volume muito grande de rejeitos que juntos representam de 15 a 25% de todo material da coleta seletiva. Essas embalagens indicam em seus rótulos que são recicláveis, porém todo esse volume é destinado aos aterros, margens de rios e córregos, contaminando o meio ambiente”, analisa Laércio em seu trabalho de pesquisa.
Ele já apresentou seu projeto em diversas empresas, mas todas respondem que já atendem o acordo setorial da Política Nacional de Resíduos Sólidos.
