Tragédias dão sinais e podem ser evitadas ou, ao menos, ter o impacto reduzido. Pelo menos é o que afirma o consultor Pedro C. Ribeiro, autor do livro ‘Lições do Titanic sobre Riscos e Crises para Líderes’, que estará em Santos no dia 11 de abril para falar sobre como evitar crises empresariais.
A palestra se chama “Lições do Titanic para Líderes: como e porque um navio projetado e construído por grandes empresas para ser “inafundável” afundou em sua primeira viagem, e o que você e a sua organização podem aprender com isso”, já foi apresentada na NASA, e leva os participantes a uma viagem de volta ao Titanic para mostrar lições aos líderes sobre este naufrágio que deu origem à convenção SOLAS (Convenção Internacional para Salvaguarda da Vida Humana no Mar) e à IMO (Organização Marítima Internacional).
Diário – Como as tragédias acontecem?
Pedro – Crises são formadas pelo efeito dominó de elementos que, separadamente, parecem não ser relevantes, mas quando se combinam, levam o projeto ao fracasso. Portanto podem ser evitadas ou ter seu impacto reduzido. A boa notícia é que o conhecimento necessário para evitar um desastre quase sempre existe em algum lugar da organização ou dentro da sua cadeia de valor. A má notícia é que tal conhecimento, muitas vezes, é minimizado, ignorado ou não captado pelos sistemas formais de gestão.
Diário – Quais os efeitos de uma crise?
Pedro – O custo de uma crise ou desastre em um empreendimento estratégico, tanto em termos financeiros como em imagem, é gigantesco, especialmente se a empresa já vivencia dificuldades financeiras. Devemos e podemos aprender antes de uma crise, mas esperar para aprender é caro demais e, dependendo do que acontecer, pode não haver uma segunda oportunidade.
Diário – Quais as lições do naufrágio do Titanic para empresas de navegação?
Pedro – A principal lição é sobre a importância da dimensão humana do risco, especialmente sobre o papel da liderança, da comunicação, da cultura de riscos e nossas percepções atitudes e comportamentos frente ao risco na prevenção de crises em empreendimentos. O Titanic afundou estando 100% em compliance com a legislação, um alerta para o fato de que processos e sistemas de gestão de riscos e compliance, embora sejam importantes e necessários, muitas vezes obrigatórios, não são suficientes e podem levar a uma falsa sensação de segurança.
Diário – Por que isso acontece? Esses processos e sistemas não deveriam garantir a segurança?
Pedro – Isso acontece porque elementos fundamentais que influenciam a tomada de decisão sobre riscos, tais como percepções, atitudes e comportamentos nos diversos níveis e funções da organização, não são adequadamente captados pelos sistemas formais de gestão de riscos, por mais avançados que sejam. A dimensão humana do risco e as consequentes limitações da gestão corporativa de riscos, não importa o quanto seja bem projetada e operada, vêm sendo cada vez mais reconhecidas pelos modernos padrões e normas internacionais de riscos.
Diário – Como reconhecemos as consequências e os sintomas destas situações?
Pedro – As consequências podem ser reconhecidas, quando, por exemplo, logo após a ocorrência de um desastre, auditorias revelam trocas de e-mails e relatórios internos que já alertavam para a iminência de um desastre. Ouvimos também declarações de membros da equipe, como “eu já sabia” ou “eu bem que avisei e ninguém me escutou”. Os alertas estavam lá, mas foram ignorados, minimizados ou não foram captados de forma efetiva pelos sistemas de gestão de riscos e compliance da empresa. É importante salientar que alertas ignorados contribuem para minar a confiança dos funcionários na liderança e na organização, afetam a comunicação aberta, o engajamento e o trabalho de equipe.
Diário – Qual a relevância desse tema para as empresas?
Pedro – Casos recentes, ocorridos no Brasil e no exterior, ganhadoras de prêmios de gestão de riscos e compliance, transformaram-se em exemplos de falhas de sistemas, catástrofes ambientais e desastres em projetos e operações, atestando a importância e urgência do tema para a alta administração. Visando prevenir a ocorrência de situações deste tipo, criei também um workshop para complementar à palestra que ofereço.
