O novo Centro de Atividades Turísticas (CAT), entregue no último dia 30 à iniciativa privada, vem sendo vigiado pela Guarda Municipal de Santos (GCM), ou seja, funcionários públicos cujo subsídios (salários) são pagos pelo contribuinte santista.
O Diário recebeu áudios de guardas relatando a situação e fotos de viaturas da guarnição, estrategicamente posicionadas, vigiando o equipamento, durante a exposição de carros do Clube do Automóvel Antigo de Santos, que se encerrou no domingo (8).
A multinacional francesa GL Events é a administradora do equipamento, que tem a missão de impulsionar o turismo de lazer e negócios na região.
“As viaturas ficaram dentro do Centro de Convenções enquanto ocorria a feira de carros antigos. Teve guarda que teve apenas a rendição do almoço. A ordem foi ficar no local diariamente até acabar o evento. Inclusive teve mudança de horário para alguns guardas cobrirem o local, estão entrando mais cedo somente pra está finalidade”, informou um guarda que prefere não se identificar por razões óbvias.
Procurado ontem (9), a guarda responsável pelas denúncias, após checar a rotina da guarnição santista, confirmou: “A viatura continua fazendo o serviço lá, desta vez fica fazendo a segurança da área externa permanecendo assim, em frente ao centro de convenções”, resumiu.
Prefeitura
Procurada, a Prefeitura informou que o início da concessão do Santos Convention Center à empresa vencedora do processo licitatório para uso do local começou ontem, de acordo com o prazo de 10 dias após a assinatura do contrato entre a Prefeitura e a GL Events e que agora, nem a GCM e nem a CET-Santos irão atuar na área interna do local. No entanto, completou: “a Praça Gago Coutinho e todo o entorno do equipamento continuam sendo espaços públicos, nos quais a GCM seguirá atuando”.
Não é de hoje que guardas são usados para resguardar equipamentos particulares em detrimento à função de assegurar a integridade do patrimônio público. Em Reportagem do Diário de 2015, a guarda foi surpreendida na Rua Viscondessa do Embaré, no Centro, onde uma viatura, com dois guardas municipais, ficava de prontidão 24 horas, vigiando um imóvel seminovo particular.
Os guardas relataram que a empresa, na ocasião, havia solicitado o calçamento da rua e a ‘limpeza da área’ (retirada de moradores em situação de rua e viciados), além da instalação de uma câmera. “De dia, os guardas podem utilizar o banheiro da empresa. Mas, à noite, são obrigados a ficar olhando o patrimônio sem poder até beber água”, contou um dos denunciantes.
Até desfile de moda e uma ótica no Gonzaga foram cobertos pela Guarda. Nada por escrito. Os guardas informaram que a guarnição já havia sido utilizada para guardar as instalações de uma empresa de segurança na Rua Zeonor Paiva Magalhães, no Chico de Paula, como também para resguardar cerimônias de casamento de secretários e reuniões de lojas maçônicas. Já houve casos de comerciantes usarem a guarda para retirar moradores de rua da calçada no Gonzaga.
O CAT foi entregue em contrapartida prevista em lei municipal. Durante esta obra, o Grupo Mendes aportou mais de R$ 60 milhões.
