Há 70 anos, 2º BIL faz parte da história de crianças de São Vicente

Alunos são recebidos em datas comemorativas nacionais e do próprio Exército

Há 70 anos em São Vicente, o 2º Batalhão de Infantaria Leve (2º BIL) já recebeu milhares de crianças de escolas públicas e particulares do município. A relação com a comunidade sempre fez parte da história do Batalhão, que recebe uma média de quatro mil crianças por ano.

Os alunos são recebidos durante as datas comemorativas nacionais e do próprio Exército ao longo do ano e vivem ‘um dia de soldado’. Como esta terça, Dia do Soldado Constitucionalista.

“Convidamos as escolas para visitarem o batalhão e preparamos oficinas para as crianças”, comenta o Tenente Menezes. “Fazemos o hasteamento da bandeira, cantamos o hino nacional, explicamos o motivo da comemoração e dividimos as crianças em oficinas”.

Na oficina de material, os jovens visitantes têm a oportunidade de conhecer os materiais usados pelo Exército em campanha, como rádio e mochila, com exceção de armamentos e explosivos, que ficam de fora por questões de segurança. “Tem também a pista de cordas, passeio de viaturas e a oficina do museu da FEB – Força Expedicionária Brasileira”.

O Tenente não lembra ao certo quando isso começou a ser feito, mas, de certa forma, a relação com a comunidade sempre esteve presente. “Antigamente, na década de 90, nós tínhamos uma festa junina no Batalhão para 15 mil pessoas. Hoje, fazemos isso com as crianças”.

O 2º BIL recebe apenas alunos de São Vicente. “Praia Grande já tem o 2° Grupo de Artilharia Antiaérea, e Santos e Guarujá, o Forte dos Andradas”, explica.

“O Exército é a comunidade”, afirma Menezes sobre a importância dessa relação. “Todo ano nós recebemos garotos que representam a nossa comunidade. É como se a gente estivesse prestando contas para a sociedade”.

Para o Tenente, quanto mais gente conhece o 2º BIL, mais gente se interessa e faz provas para entrar quando cresce. “Temos que utilizar as oportunidades de passar uma mensagem positiva. Recebemos muita criança de periferia e é bom ela ver que o soldado não é malvado e que um dia ela pode ser um de nós”.

Os reservistas também costumam visitar o Batalhão. “No ano passado, recebemos a turma de 1978. Na época, eles tinham 19 anos e, por incrível que pareça, conseguiram juntar cerca de 70% da turma”.

Soldados voluntários do Exército também fazem parte da Encenação da Fundação da Vila de São Vicente, o que já está virando uma tradição. “Começamos em 2017. A ideia é levar os voluntários para fazer o papel dos soldados de Martim Afonso”, declara.

2º BC ou 2º BIL?

Muita gente ainda chama o 2º BIL de 2º BC, em referência ao antigo nome: 2º Batalhão de Caçadores. A mudança para 2º Batalhão de Infantaria Leve aconteceu em 1º de março de 2005, por questões estratégicas do Exército.

O Batalhão ainda teve outro nome. Em 1949, quando se instalou em São Vicente, recebeu a denominação de III/4º Regimento de Infantaria, sendo denominado 2º BC em 1952.

Antes de vir para São Vicente, ficou instalado no antigo prédio da Santa Casa de Misericórdia (1946), em Santos, posteriormente no Forte de Itaipu e, finalmente, no sítio dos Bugres, em São Vicente.