Mais de mil quilômetros separam o Mato Grosso do Sul de Santos. E é esse trajeto que será percorrido pelo Teatro Imaginário Maracangalha nesta semana para encenar em solo santista o espetáculo ‘Tekoha – ritual de vida e morte do Deus pequeno’. Como a estrada é longa, o Maracangalha fez questão de trazer outras montagens na bagagem: além de participar da Mostra Nacional, o grupo inscreveu outros dois trabalhos na Mostra Paralela do FESTA: são eles a intervenção ‘Ferro em Brasa’ e o espetáculo de rua ‘Conto da Cantuária’.
Com direção de Fernando Cruz o espetáculo de ‘Tekoha – ritual de vida e morte do Deus Pequeno’ surgiu em 2009. A peça narra a trajetória do líder indígena guarani Marçal de Souza e sua resistência histórica na luta pela terra e direitos dos povos indígenas. “Teko” significa modo de estar, sistema, lei, hábito, costume. Tekoha, assim, refere-se à terra tradicional, ao espaço do pertencimento da cultura guarani.
O espetáculo tem como linha condutora a vida, luta, morte e o conflito no julgamento, além de uma leitura contemporânea do papel de instituições como imprensa, igreja, poder público e latifúndio, todos envolvidos no contexto de sua morte.
Marçal travou o principal embate político em Mato Grosso do Sul em relação aos direitos dos povos indígenas e denunciou a invasão de terras pelos fazendeiros, explorações e ilegalidades acerca do desrespeito com as populações tradicionais. Por esses motivos, logo se tornou alvo de perseguição dos latifundiários da região, recebendo intimidações e ameaças.
Para além da dramaturgia, a obra cumpre um importante papel social, pois ao aliar história e arte resgata a memória de um importante personagem e estimula uma reflexão crítica sobre a questão indígena nos dias atuais.
Falando sobre amor e aceitação, peça é alvo de protestos transfóbicos
Desde a estreia, o espetáculo ‘O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu’ é alvo de críticas por parte de grupos religiosos. Em 2009 a autora Jo Clifford sofreu ataques e ameaças de censura.
A montagem brasileira constantemente encontra resistência e é alvo de preconceito. Em Araçatuba, um grupo de líderes religiosos visitou o prefeito, questionando o Festival Plural e a programação do espetáculo.
A situação é recorrente há um ano, com diferentes gradações em seus níveis de violência: ameaças de censura, ameaça física, insultos e difamação na internet, pressão aos programadores, festivais e instituições exigindo cancelamento do espetáculo, notas de repúdio, etc.
O espetáculo se tornou um dispositivo de debate sobre temas sociais urgentes, graças à sua capacidade de questionar de maneira delicada e amorosa mecanismos de opressão estruturais e institucionalizados. Em carta aberta, os idealizadores destacam que o Brasil é o país mais transfóbico do mundo e que diariamente travestis são espancadas e assassinadas. Estas pessoas vivem e morrem na invisibilidade.
“Convidamos quem estiver lendo esta carta a escrever no google “travesti assassinada em Araçatuba” (pode substituir Araçatuba por qualquer cidade do Brasil). O resultado vai ser sempre devastador, brutal e alarmante”, destaca o documento.
Agenda
17h | Praça dos Andradas | Música | Orquestra de Cordas Friccionadas (Projeto Guri/Santos);
18h | Praça dos Andradas | Literatura | Leia Santos;
19h30 | Praça dos Andradas | Manifestação Popular | Maracatu (Grupo Zabelê de Cultura Popular/Cubatão);
20h | Teatro Guarany | Mostra Nacional | ‘O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu’ (Grupo Corpo Rastreado/São Paulo);
21h30 | Centro Cultural Cadeia Velha | Abertura da Exposição Fotográfica ‘Ciatas de Santos – Mulheres que no samba resistem’ de Rodrigo Montaldi Morales e da Exposição de Artes Plásticas ‘Consequência’, de Olivia Af. Exibição do documentário ‘Ensaio Aberto – Fomento ao Teatro’ e Roda de Samba da Velha Guarda da X-9;
23h50 | Praça dos Andradas | Festa ao ar livre | ‘For All – FESTA’, da Carcará Produções e Trio Mariaz (Forró Pé de Serra)
