O bairro Jardim São Manoel, em Santos, abriga uma mulher que tem as mãos abençoadas. Tanto que uma de suas clientes quis beijá-las após provar o delicioso bem-casado feito por elas. “Posso beijar essas mãos? São divinas!”, dizia a moça.
Esta é uma das reações que Wilma Elias Suvirá, de 63 anos, guarda com carinho e conta à reportagem ao ser questionada sobre o reconhecimento que recebe de quem tem a sorte de provar o delicioso doce feito por ela.
“Não tem quem não goste. Até quem diz que não come doce não resiste”, brinca.
A receita está na família, que é do Paraná, há mais de 30 anos e era feita pela avó e pela mãe da Wilma. Segundo ela, o bem-casado não era comercializado, mas sempre foi tão elogiado por quem comia que um dia o irmão e a cunhada decidiram oferecê-lo em comércios da cidade onde moravam. O sucesso foi estrondoso e em pouco tempo toda a família passou a trabalhar com os bem-casados, entre o Paraná e Sorocaba.
Na Baixada Santista, o doce chegou depois. Wilma se casou e se mudou para Santos, há mais de 15 anos. No início da nova vida ajudava o marido em uma pequena transportadora, mas afirma que sempre teve vontade de trabalhar com outra coisa. Até que seu irmão e sua cunhada vieram visitá-la e trouxeram bem-casados para vender nas lojas da região e custear as despesas da estadia.
O doce fez tanto sucesso que os pedidos começaram a chegar mais rápido do que eles esperavam. “Tive orientação do meu irmão e acertei a receita de primeira. Aí comecei a fechar encomendas e não parei mais. Hoje minha filha e noras trabalham comigo. Tenho mão boa para cozinhar”, diz Wilma, e não há como duvidar disso depois de comer o bem-casado dela.
RECEITA ESTRELADA
O sabor conquistou também grandes casas do ramo, como as franquias da Sodiê da Baixada, de São Paulo, São Bernardo do Campo e Santo André, e a tradicional santista Laticínios Marcelo.
Para dar conta dos pedidos, Wilma adaptou um espaço em sua própria casa e é lá onde todos os dias prepara cerca de sete quilos de massa, coloca no forno, recheia e embala, com ajuda da família. Os mais jovens realizam as entregas, mas quando o cliente é daqueles antigos, que pedem há mais de 10 anos, é Wilma quem faz questão de ir levar os doces até o local.
Além das vendas em comércios, os bem-casados são muito procurados para enfeitar as mesas de casamentos, afinal o doce tem fama de trazer sorte e prosperidade aos noivos recém-casados. As duas partes da massa e o recheio simbolizam a união e o compromisso assumido pelo casal. E como as mãos da Wilma são mesmo abençoadas, os noivos que comem os bem-casados dela têm tudo para ter um casamento feliz e com gosto de quero mais.
ENCOMENDAS
Além de encontrar o bem-casado em docerias da região, ele pode ser encomendado pelo número (13) 97421 4220. Os sabores vão do tradicional doce de leite ao beijinho, brigadeiro, goiaba, nozes, maracujá, limão, morango e ninho.
“Senti o impacto da pandemia porque as festas foram todas adiadas e as lojas fecharam. Agora que está melhorando de novo”, explica.
Para grandes quantidades, é preciso pedir com pelo menos dois meses de antecedência para que Wilma tenha tempo de comprar o que vai precisar, além de embalar um a um, de forma manual, como gosta de fazer sempre.
“Tem gente que quer embalado em papel crepom, ou tecido com fita de cetim e pérola e nós fazemos tudo para que o cliente fique satisfeito”.
Com tanta dedicação, os bem-casados ganharam até viagem internacional e fizeram parte de um casamento realizado em Viena, na Áustria.
“A noiva veio para uma festa no Brasil e comeu meu bem-casado. Gostou tanto que encomendou para o casamento dela”, e completa: “Eu amo o que eu faço e não sei mais viver sem isso”. Os clientes agradecem.
