Mãe acusada de matar recém-nascida em PG diz que bebê ‘caiu da janela’

Para delegada, a acusada, de 20 anos, tem "personalidade cruel" e tentou ocultar o cadáver da própria filha na lixeira "para poder escapar impune"

A mulher de 20 anos que foi autuada em flagrante sob a acusação de matar a própria filha, recém-nascida, em Praia Grande, disse à Polícia Civil que, sem a sua intenção, o bebê “caiu da janela” em um saco de lixo do apartamento no 2° andar na manhã desta quinta-feira (18). Ele admitiu que foi até o mezanino buscar o saco com o bebê e disse ter o colocado na lixeira. 

A acusada ainda afirmou que não prestou socorro à recém-nascida por medo da “reação materna” ao descobrir que ela estava grávida. Ainda nas declarações à polícia, dadas no Hospital Irmã Dulce, onde a acusada foi internada, ela sustentou que não sabia da gravidez até esta quinta-feira e que passou mal após tomar uma medicação. 

A delegada Lyvia Cristina Bonella, titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Praia Grande, que ouviu a acusada no hospital, e realizou, durante toda a quinta-feira, as investigações para o esclarecimento do caso entendeu, ao registrar o flagrante, que a jovem cometeu um infanticídio (matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após), cuja pena varia de 2 a 6 anos de prisão. 

Na hipótese de durante a ação penal ser apurado que a jovem não agiu sob influência do estado puerperal, ela responder pelo crime de homicídio qualificado, cuja pena varia de 12 a 30 anos de reclusão. 

Para a delegada Bonella, a acusada tem “personalidade” cruel e tentou ocultar o cadáver da própria filha na lixeira “para poder escapar impune”.

Imagens de monitoramento do edifício, situado na Rua Jamil Issa, 150, na Vila Caiçara, analisadas pela delegada mostram um saco caindo do apartamento da jovem e, posteriormente, a moça arrastando o saco de lixo do mezanino ao elevador. 

O corpo da recém-nascida foi encontrado por uma auxiliar de limpeza, de 45 anos, que chamou o zelador, que a ajudou a constatar o crime que havia acabado de ocorrer. Acionada, a PM foi ao apartamento da acusada e da mãe após obter relatos de que havia pessoa grávida naquele apartamento, o 203. 

Ao registrar o flagrante, a delegada representou pela prisão preventiva da jovem. 

“A ordem pública deve ser preservada, dada a repercussão da infração junto à sociedade, haja vista envolver ação capital contra o próprio filho, fato causador de ojeriza no seio popular”, escreveu a autoridade policial.