Moradores denunciam precariedade na Policlínica Areia Branca

Sem acessibilidade e com infiltrações, população pode melhorias em imóvel provisório alugado pela Prefeitura

Pela terceira vez o prazo dado pela Prefeitura Municipal de Santos para o início da construção da Policlínica Areia Branca foi descumprido. As obras, que deveriam ter início no final de fevereiro, ainda não começaram.

A situação foi denunciada pela Diário do Litoral em novembro passado e no último dia 14 de fevereiro, na matéria ‘Obra da policlínica Areia Branca continua paralisada‘. Dessa vez, a reclamação parte também dos moradores da Zona Noroeste de Santos que se sentem lesados pela falta de estrutura no imóvel provisório de atendimento alugado pela Prefeitura, situado na Rua Pascoal Lembo,729.

“Essa residência foi alugada sem qualquer planejamento. Com a forte chuva que caiu nessa semana ficou praticamente impossível chegar até aqui. Sou cadeirante e quando preciso de atendimento alguém tem que se deslocar até o quintal para que eu seja atendido debaixo desse toldo completamente inadequado, pois não há acessibilidade”, reclamou Silmar Gomes da Silva, morador do bairro.

Opinião semelhante a de Leonardo Bezerra de Menezes, também morador da Areia Branca e que depende dos serviços prestados pela unidade. “O imóvel funciona em um total estado de degradação. Quando precisam de medicamentos os moradores devem se deslocar para a Caneleira ou para a Vila São Jorge, pois a farmácia foi retirada em virtude das constantes infiltrações. A população está sendo jogada de um lado para o outro. É revoltante”, desabafou.

De acordo com os moradores, na última sexta-feira (26) foi realizada uma reunião com representantes da Prefeitura na sede da Sociedade de Melhoramentos da Areia Branca para propor melhorias no imóvel provisório de atendimento. “Não tivemos a presença do secretário de saúde, mas um engenheiro nos garantiu que as obras da Policlínica teriam início na segunda-feira (29). No entanto, mais uma vez o lugar está vazio, sem ninguém trabalhando. Estamos cansados desse descaso”.

Questionada, a Prefeitura de Santos informou que a Secretaria de Saúde (SMS) tem realizado constantes reuniões com as lideranças do bairro e já expôs um cronograma de adequações do imóvel.

A Prefeitura disse ainda que aguarda o final do semestre para checar a conclusão de algumas obras no entorno da UBS a fim de verificar a possibilidade de relocação da unidade, que vence no início de junho.

Unidades de Saúde recém-construídas estão abandonadas

Enquanto a situação não é resolvida, duas unidades de saúde recém-construídas pela Prefeitura de Santos estão fechadas, sem identificação ou previsão para abertura. Ambas edificações estão localizadas na Rua Comandante Bulcão Viana, no Bom Retiro, a cerca de 750 metros de distância do imóvel provisório de atendimento.

Um dos espaços deveria abrigar a sede do Serviço de Reabilitação e Fisioterapia da Zona Noroeste. A unidade, que visava facilitar o acesso dos moradores da Zona Noroeste e dos morros, tinha a previsão para término das obras para o final de 2012. No entanto, até o momento o espaço não foi inaugurado.

O outro imóvel, localizado ao lado, deveria sediar uma nova unidade da Seção Núcleo de Atenção ao Toxicodependente (Senat). Orçada em R$ 664.162,39, a obra contou com R$ 250.376,81 do Fundo de Desenvolvimento Metropolitano. O restante dos recursos foi proveniente do governo federal (R$ 400 mil) e de contrapartida municipal (R$ 13.785,58). Também inoperante desde o término da obra de alvenaria, o espaço hoje serve de abrigo para gatos de rua.

A Prefeitura de Santos disse, por meio de nota, que os prédios estão em fase de revisão da área física e elétrica. A Administração não esclareceu os motivos dos atrasos para a inauguração dos espaços.

Sobre a possibilidade de um dos equipamentos abrigar provisoriamente a UBS da Areia Branca, a Prefeitura disse que não é viável, uma vez que os serviços oferecidos são específicos para fortalecer o atendimento na região da Zona Noroeste. No entanto, não há prazo para que os atendimentos citados comecem.

Ainda de acordo com a Prefeitura, ambos os prédios estão sendo adequados para o recebimento de uma Unidade de Reabilitação Física e Mental e a unidade que seria para Seção Núcleo de Atenção ao Toxicodependente ficará abrigada no CAPS Zona Noroeste.