Moradores do São Manoel clamam por remédios e pediatra

Moradoras resolveram chamar a Reportagem para denunciar a situação dramática envolvendo a saúde pública do bairro

Moradoras do Jardim São Manoel, em Santos, fizeram ontem, às 10 horas, uma manifestação em frente à policlínica do bairro para chamar a atenção de vereadores e da Prefeitura sobre a falta de medicamentos que, segundo eles, ocorre antes mesmo da pandemia de Covid-19. A Reportagem esteve no local e recebeu, das mãos das lideranças do bairro, uma lista de inúmeros remédios que faltam nas farmácias da rede municipal.

Fabiana Silva Moraes, moradora da Praça Doutor Antônio Guilherme Gonçalves, explica que a questão não envolve apenas a falta de medicamentos para diabetes, pressão alta e outras doenças. “Também falta médicos. Estamos em pediatra na Policlínica. Temos dois consultórios dentários que não funcionam há anos. Segundo a dentista, a cadeira sempre está quebrada e falta anestésicos”, explica.

Fabiana completa informando que também falta tratamento humanizado por parte dos funcionários do primeiro atendimento, pois “dispensam os munícipes sem dar um atendimento adequado, nem informação direito”, afirma, revelando que desentendimentos entre funcionários são constantes.

CIDADE TODA.

Segundo as manifestantes, a falta de medicação atinge também outros bairros. A pandemia serviu para agravar ainda mais a situação. Há remédios que não são oferecidos há seis meses.

Maria Laura Souza Ferreira, moradora da Rua Professor Francisco Meira, revela que o clínico geral é que atende as crianças por conta da falta do pediatra. “Os profissionais não têm culpa e fazem o que podem para atender a demanda. Só que estão sobrecarregados. Estamos jogados às traças. Até bebedouros estão quebrados. O café é comprado pelos funcionários”, dispara.

Marcia da Silva Correa, moradora da Rua Doutor João Carlos de Azevedo, disse que faltam fraldas geriátricas e próprias para cadeirantes. “Tem crianças especiais que também não conseguem esse tipo de material e, quando pegam, são de adultos. É preciso deixar de lado um pouco o lado praia e olhar o lado de cá da Cidade”, revela, alertando que a quantidade de mosquitos na policlínica também é grande.

As moradores alegam ainda que muita gente é dispensada com a instrução de buscar atendimento em outra policlínica por conta da falta de funcionários. Outras relatam o que estão sentindo e recebem as orientações e receitas sem passar pelo médico. Elas finalizam enfatizando que já foi feito abaixo-assinado para pedir a substituição de alguns funcionários e mais autonomia para o gestor, mas não estão recebendo o retorno por parte da Secretaria de Saúde.

PREFEITURA.

A Secretaria Municipal de Saúde esclarece que a Policlínica São Manoel é uma Unidade de Saúde da Família (Usafa), que tem duas
equipes.

Conforme o Ministério da Saúde, as Usafas possuem médicos generalistas, que realizam os atendimentos adultos, infantis e ginecológicos. Dessa forma, não caberia no local a disponibilidade de um médico pediatra.

“Os remédios cumarina, glicazida 60 e diclofenaco não estão mais na lista padrão dos medicamentos fornecidos pela Prefeitura. Já a ranitina teve seu uso considerado proibido”, explica a Prefeitura.

Quanto à glicazida 60, embora não esteja mais na lista, a de 30 está em fase de padronização na lista dos medicamentos fornecidos pela prefeitura. Não há falta da hidrocloratiazida. A Secretaria se encontra no processo de aquisição dos demais medicamentos”, acrescenta a administração.

Com relação à eventual conduta indevida de profissionais ou falta de atendimento humanizado, a prefeitura pede que a manifestação seja encaminhada, com detalhes, à Ouvidoria Municipal (telefone 162 ou www.santos.sp.gov.br/ouvidoria) para apuração dos fatos.