Mortes no trânsito aumentam 66,7% na Baixada Santista na quarentena

Foram cinco óbitos entre 24 e 31 de março, início da quarentena estadual, ante três no mesmo período do ano passado, quando havia muito mais veículos nas ruas

As mortes no trânsito na Baixada Santista entre 24 e 31 de março, início da quarentena estadual devido à pandemia do novo coronavírus, chegaram a cinco casos, o que representou um aumento de 66,7% em relação ao mesmo período de 2019, quando houve três óbitos e havia um número de veículos muito maior nas ruas. Somente as regiões administrativas da Baixada, de Registro (Vale do Ribeira) e de Franca (interior paulista) tiveram aumento de fatalidades no trânsito nesse início de quarentena, segundo os dados divulgados em abril pelo Infosiga SP, sistema de dados gerenciado pelo programa Respeito à Vida do Governo de São Paulo. 

Em todo o Estado, a queda foi de 31,3% no recorte do final de março em quarentena. Foram 68 mortes contra 99 no mesmo período de 2019. Diante disso, os números de mortes na Baixada Santista chamaram atenção e os dados de abril são contabilizados e analisados pelo Infosiga SP para uma constatação da taxa de acidentes fatais durante um mês inteiro de quarentena. A divulgação desses dados está prevista para 19 de maio. 

Os acidentes sem vítimas fatais na Baixada, por outro lado, tiveram queda expressiva, de 56,29% no período de quarentena em março: foram 66 casos ante 151 no mesmo período do ano passado. 

Em análise dos dados do Infosiga SP, a Reportagem do Diário do Litoral constatou que dos cinco óbitos entre 24 e 31 de março três são de motociclistas e dois de ciclistas, em um total de quatro acidentes. O Diário buscou informações em registros de ocorrências sobre as circunstâncias de cada acidente. 

Em 24 de março, um acidente fatal ocorreu por volta das 11h, na Rodovia Cônego Domênico Rangoni, altura do km 270, em Cubatão, e envolveu o motociclista Evandro Rafael Merces da Silva, de 30 anos, e um ciclista de aproximadamente 40 não identificado no boletim de ocorrência. O ciclista morreu no local, enquanto o motociclista foi socorrido inconsciente e faleceu em uma unidade de saúde no dia 29. 

Na mesma data, por volta das 15h35, na Avenida Marginal Direita da Anchieta, em Santos, o motociclista Rodrigo Nantes Teixeira, de 39 anos, morreu depois de atingir uma carreta de frente, ao tentar uma ultrapassagem pela mão contrária, e ser atropelado por um carro em sua mão inicial de direção. Teixeira faleceu no local. 

No dia 25, o também motociclista Rodrigo Oliveira Fernandes Junior, de 23 anos, foi atingido por um ônibus na Rua Castro Alves, no Embaré, em Santos, e morreu no dia seguinte. 

No dia 29, o comerciante Gilberto Pujol, de 57 anos, que estava de bicicleta, morreu após uma colisão transversal com um motociclista na Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, no  km 312, no Jardim Marabá, em Mongaguá. 

Entregas de moto

Em tempos de pandemia, houve grande aumento de serviços de motoboys e entregadores usando bicicletas nas cidades. Na Baixada Santista, o Sindimoto (sindicato da categoria) diz que não tem conhecimento de aumento de acidentes entre os trabalhadores do ramo no período da pandemia, mas reforça a necessidade do respeito às normas de trânsito, respeitando os limites de velocidade, mesmo com as vias mais vazias, e não ultrapassar sinal vermelho, bem como o uso dos equipamentos de segurança.

Administrador provisório do sindicato, Oscar Leonardo Leme Brizolla, de 34 anos, ressalta a importância aos motociclistas de colete refletivo, faixas refletiva no baú e o equipamento conhecido como mata-cachorro, para maior proteção em caso de quedas. Ao entregadores que usam bicicletas, ele frisa o uso de ciclovias, sempre que possível, refletivos na mochila, sob o banco e nos pedais, bem como uso de retrovisor. 

Brizolla disse à Reportagem que devido ao aumento de óbitos gerais no trânsito da Baixada na quarentena, em março, irá se comunicar a categoria diante da gravidade dos fatos, visando a proteção dos membros da categoria. 

“É assustador. Principalmente no início de uma quarentena, que é um período em que houve uma diminuição do fluxo de trânsito”, afirma. 

Em nota, o Infosiga SP destaca que os motofretistas têm feito um trabalho essencial em tempos de pandemia.  “E reforçamos as mensagens de segurança: é necessário evitar acidentes, buscando sempre trafegar com cautela e respeitando as leis de trânsito. Assim, todos chegam bem e é evitada uma demanda ainda maior ao sistema de saúde”, disse.