Um crocodilo de quatro metros de comprimento, que viveu no interior de São Paulo há cerca de 85 milhões de anos, foi identificado como uma nova espécie e ajuda a reconstituir o complexo ecossistema do período Cretáceo.
O fóssil, batizado de Ibirasuchus gelcae, foi descrito por pesquisadores brasileiros em artigo publicado no Journal of the South American Earth Sciences.
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Uma descoberta que atravessou décadas
O achado ocorreu em 2008, quando a bióloga e pedagoga Angélica Fernandes dos Santos, conhecida como Gelca, encontrou fragmentos do animal em uma expedição em Ibirá (SP).
O reconhecimento científico, no entanto, só foi confirmado em 2025, após a revisão de centenas de fósseis coletados na região de Cedral, Ibirá e Monte Aprazível. O nome da nova espécie homenageia a pesquisadora e o município onde o material foi encontrado.
O predador do Cretáceo paulista
De acordo com o paleontólogo Fabiano Iori, responsável pelo estudo, o Ibirasuchus pertencia ao grupo dos Itassuquídeos, crocodilos de hábitos aquáticos semelhantes às espécies atuais.
O animal provavelmente emboscava presas às margens dos rios e tinha uma dieta variada, composta por peixes, tartarugas e pequenos animais. Seu porte, porém, o colocava em disputa direta por alimento com dinossauros carnívoros que habitavam a região.
‘É uma linhagem que acabou se extinguindo, mas que nos ajuda a reconstruir a diversidade e as interações ecológicas da fauna que viveu aqui milhões de anos atrás’, explica Iori.
Um ecossistema repleto de crocodilos
A pesquisa identificou a coexistência de quatro grupos distintos de crocodiliformes no interior paulista durante o Cretáceo:
Esfagesaurídeos: de crânios curtos e dentes adaptados para moer, possivelmente com dieta onívora.
Perisaurídeos: predadores terrestres ágeis, com membros longos.
Baurussuquídeos: robustos, com dentição especializada para carne, que dominavam as terras altas.
Itassuquídeos: de hábitos aquáticos, incluindo o Ibirasuchus gelcae.
Esses répteis coexistiam com os titanossauros, gigantes herbívoros que quase não tinham predadores quando adultos, e com dinossauros carnívoros, que ocupavam o topo da cadeia alimentar.
Relevância científica
Para chegar às conclusões, os pesquisadores analisaram mais de 200 fósseis, entre dentes, ossos e osteodermos, armazenados nos museus de Uchoa e Monte Alto.
O estudo contou também com a participação de Felipe Chinaglia Montefeltro (Unesp – Ilha Solteira), Thiago da Silva Martinho (UFTM – Uberaba), Leonardo Silva Paschoa e Renan Oliveira Fernandes (Museu de Uchoa) e Sandra Simionato Tavares (Museu de Monte Alto).
A descoberta reforça a importância da região noroeste paulista como um dos principais depósitos fossilíferos do Brasil e mostra que a fauna crocodiliana do Cretáceo era muito mais diversificada e complexa do que se imaginava.
Principais tópicos da descoberta
Descoberta
Crocodilo de 4 metros que viveu há 85 milhões de anos no interior de SP foi identificado como nova espécie.
Batizado de Ibirasuchus gelcae, descrito em 2025 na Journal of the South American Earth Sciences.
Fóssil encontrado em 2008 pela bióloga Angélica “Gelca” Fernandes dos Santos, em Ibirá (SP).
Nome homenageia a pesquisadora e o município.
Características do Ibirasuchus
Pertencia ao grupo dos Itassuquídeos, crocodilos de hábitos aquáticos.
Provavelmente emboscava presas em rios e margens.
Alimentação variada: peixes, tartarugas e pequenos animais.
Disputava alimento com dinossauros carnívoros.
Ecossistema do Cretáceo paulista
Identificados quatro grupos de crocodiliformes na região:
Esfagesaurídeos: crânios curtos, dentes para moer, dieta onívora.
Perisaurídeos: predadores terrestres ágeis, de membros longos.
Baurussuquídeos: robustos, especializados em carne, dominavam as terras altas.
Itassuquídeos: aquáticos, incluindo o Ibirasuchus gelcae.
Conviviam com titanossauros herbívoros e dinossauros carnívoros.
Pesquisa e relevância científica
Estudo analisou mais de 200 fósseis (dentes, ossos e osteodermos) de museus de Uchoa e Monte Alto.
Pesquisa liderada por Fabiano Iori, com participação de cientistas da Unesp, UFTM e museus locais.
Descoberta reforça a importância do noroeste paulista como grande depósito fossilífero.
Revela que a fauna crocodiliana do Cretáceo era muito mais diversa e complexa do que se pensava.
