A logística industrial da Baixada Santista pode ganhar um novo capítulo. Uma área estratégica situada às margens do Canal de Piaçaguera, nas proximidades do Dique do Furadinho, em Cubatão, voltou ao centro das discussões sobre sua destinação.
O local, que atualmente pertence à Usiminas, está sendo avaliado para a possível construção de um Terminal de Uso Privado (TUP), projeto que promete movimentar a economia local e aumentar a capacidade de escoamento de cargas.
O que está em jogo?
A possibilidade de instalar um TUP no local ganhou força após uma reunião de alto nível na última semana, envolvendo representantes da Prefeitura de Cubatão e do Governo do Estado de São Paulo.
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Embora o projeto esteja em estágio embrionário, fontes indicam que a sugestão teria partido do Estado. No entanto, o tema é tratado com cautela pelas partes envolvidas.
O que dizem os envolvidos
Governo de SP e Prefeitura
Em nota oficial, a Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI) do Estado classificou o encontro entre o secretário Rafael Benini e o prefeito de Cubatão, César Nascimento (PSD), como uma reunião institucional voltada ao diálogo sobre demandas de mobilidade e logística da região.
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A pasta destacou ainda que eventuais sugestões seguirão agora os trâmites técnicos e administrativos previstos, com análise pelos órgãos competentes, de acordo com suas atribuições legais.
Usiminas
A proprietária da área relembrou que a ideia de um terminal no local não é nova — em 2019, a empresa já havia sinalizado intenção similar. Atualmente, a estratégia foca na otimização da infraestrutura existente.
A companhia informou que avalia continuamente alternativas para o melhor aproveitamento de sua infraestrutura logística e portuária, destacando o uso do Terminal Marítimo Portuário de Cubatão (TMPC) para parceiros da região.
Confira abaixo a nota completa:
“A Usiminas avalia continuamente alternativas para o melhor aproveitamento de sua infraestrutura logística e portuária, sempre em alinhamento com a estratégia da companhia, as condições de mercado e as necessidades operacionais do Polo Industrial de Cubatão”, informa o texto.
A empresa afirma ainda que “Nos últimos anos, a empresa tem direcionado seus esforços para a otimização e ampliação do uso das estruturas portuárias já existentes, fortalecendo parcerias com empresas da região por meio do escoamento de produtos pelo Terminal Marítimo Portuário de Cubatão (TMPC)”.
“Esse movimento está alinhado à estratégia de integração logística do polo e à busca por maior eficiência operacional, como demonstrado por iniciativas recentes de utilização do porto por parceiros industriais, realizando o primeiro desembarque de fertilizantes no terminal”, finaliza o texto.
Impacto no Porto de Santos
Outro ponto fundamental em debate é a possível inclusão dessa área na Poligonal do Porto Organizado de Santos, o que exigiria um acordo com a Autoridade Portuária de Santos (APS).
No entanto, a APS informou que, no momento, a área citada não faz parte da previsão de áreas a serem agregadas à Poligonal do Porto Organizado de Santos.
A gestora complementou que há outros pedidos de TUP em andamento para o Porto, o que demonstra o potencial do parque portuário santista para planos de expansão, sendo empreendimentos que devem passar por avaliação de viabilidade e de planejamento estratégico por parte do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor).
O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) garantiu que os contratos de adesão possuem regulamentação própria para o rito processual e que todo e qualquer pedido recebido será analisado à luz da legislação e todos os dispositivos que tratam do tema.