O clima da Terra apresenta sinais de desequilíbrio sem precedentes na história registrada, conforme aponta um novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência vinculada à ONU.
Segundo o documento, o planeta está retendo muito mais energia térmica do que consegue liberar para o espaço, um fenômeno impulsionado diretamente pelas emissões de gases como o dióxido de carbono (CO2), que atingiram os maiores patamares em pelo menos dois milhões de anos.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, reforçou o alerta ao afirmar que os principais indicadores climáticos estão em “alerta vermelho”.
Ele reiterou o apelo para que as nações abandonem os combustíveis fósseis em favor de energias renováveis, visando garantir a segurança climática e nacional. De acordo com a OMM, os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados desde 1850.
O acúmulo de energia e o impacto nos oceanos
O chamado “desequilíbrio energético” é a medida mais abrangente da crise climática atual. Quando o sistema está em equilíbrio, a energia solar que entra é igual ao calor que sai. Contudo, a presença excessiva de gases de efeito estufa impede essa liberação.
Dados do IPCC integrados ao relatório revelam para onde está indo esse excesso de calor acumulado:
- Oceanos: 91%
- Terra: 5%
- Gelo: 3%
- Atmosfera: 1%
O fato de mais de 90% da energia extra ser absorvida pelos oceanos é alarmante, pois intensifica tempestades, prejudica a vida marinha e acelera a elevação do nível do mar. Nas últimas duas décadas, o aquecimento oceânico ocorreu a um ritmo duas vezes superior ao observado no final do século 20.
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El Niño e as previsões para 2026/2027
Embora 2025 tenha sido ligeiramente mais ameno que 2024 devido ao fenômeno La Niña, a temperatura média global ainda ficou 1,43 °C acima dos níveis pré-industriais.
Agora, cientistas monitoram a formação de uma nova fase do El Niño para a segunda metade de 2026. Este fenômeno, somado ao aquecimento causado pela atividade humana, pode levar a Terra a quebrar novos recordes de temperatura em 2027.
O El Niño ocorre pelo enfraquecimento dos ventos alísios, o que traz águas mais quentes para a superfície do Pacífico Equatorial.
No Brasil, os efeitos são distintos: o El Niño costuma provocar seca no Norte e Nordeste, enquanto traz chuvas acima da média para a região Sul e temperaturas mais altas em todo o país.
Consequências imediatas e saúde pública
Os impactos já são visíveis em eventos extremos, como a onda de calor recorde no sudoeste dos Estados Unidos, onde os termômetros superaram os 40 °C recentemente. Além disso, o aquecimento global favorece a disseminação de doenças tropicais, como a dengue.
A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, ressaltou que as atividades humanas perturbam o equilíbrio natural de uma forma que gerará consequências por centenas de anos.
O derretimento das calotas polares e das geleiras também atingiu níveis críticos, com o período de 2024/25 figurando entre os cinco piores anos para a preservação do gelo mundial.
O diagnóstico das autoridades internacionais indica que o planeta está sendo levado além de seus limites operacionais, exigindo uma transição urgente para energias renováveis como forma de mitigar danos irreversíveis.
