O Relatório de Impacto Ambiental (Rima) do Túnel Imerso Santos–Guarujá prevê o desmatamento de uma área equivalente a dez campos de futebol. Dos 105 mil metros quadrados de Mata Atlântica que serão removidos para construção de acessos ao túnel, 44 mil metros quadrados são mangues, que serão desmatados e aterrados.
Parte desse manguezal que será extinto fica na Área de Proteção Ambiental da Serra de Santo Amaro. Nesse trecho, será preciso desmatar e aterrar 3.640 metros quadrados de mangue. O empreendimento também exigirá a supressão de outros 59 mil metros quadrados de floresta alta de restinga em diversos estágios de preservação.
O Rima foi elaborado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) a pedido do Governo do Estado aponta ainda a provável diminuição do alimento disponível para as tartarugas-verdes (Chelonia mydas). E a preocupação é, principalmente, com animais juvenis que ficariam privados temporariamente do acesso a algas.
O estudo prevê o aumento do risco de colisão de botos, golfinhos e baleias com embarcações. O aumento da turbidez da água no Estuário durante as obras também deverá elevar o índice de atropelamento desses mamíferos marinhos por navios e barcos.
A elevação da turbidez será causada pela constante remoção de sedimentos do assoalho marinho para posterior introdução dos módulos de concreto que comporão o túnel.
E, segundo os técnicos da FIPE, esse movimento de remoção da argila marinha (lama) deverá colocar em suspensão metais pesados despejados pelas indústrias de Cubatão durante décadas no Estuário e depositados no assoalho marinho.
Também é esperado que essa dragagem colocar em suspensão ainda mais sedimentos orgânicos provenientes de esgoto in natura despejado no chamado mar de dentro, o que poderá impactar a balneabilidade das praias de Santos.
Poluentes no ar
O documento também cita o impacto ambiental relacionado à poeira suspensa durante os trabalhos. E isso se dará em decorrência de demolições, escavações, permanência de pilhas de material seco nos canteiros de obras, transporte de material e movimentação de máquinas e veículos.
Apesar de não quantificar os volumes, a FIPE também cita a perda da qualidade do ar devido ao aumento nas emissões de dióxido de nitrogênio (NO) e dióxido de enxofre (SO) em Santos e no Guarujá durante as etapas de usinagem, transporte e aplicação de misturas asfálticas para a pavimentação.
Além disso, o Rima relata o provável aumento nos níveis de ruído e vibrações nos bairros mais próximos ao sítio das obras durante os trabalhos e engenharia. E alerta que isso poderá provocar recalque nos imóveis lindeiros.
A eventual contaminação do lençol freático é uma preocupação constante da FIPE no estudo que integra o processo de licenciamento ambiental a cargo da Cetesb, a agência ambiental paulista responsável pela concessão das autorizações para a obra.
Em nota, a Secretaria de Estado de Parcerias em Investimentos afirmou que “os estudos de impacto ambiental relacionados ao Túnel Santos-Guarujá estão sendo analisados pela Cetesb no âmbito da consulta pública, tendo como base as contribuições recebidas nas audiências e nas atualizações recentes do projeto”.
Interrompe Navegação
O documento projeta que, durante a fase de obras, diversas atividades serão desenvolvidas no Canal do Estuário para preparação do berço, imersão e instalação dos módulos celulares e reaterro do túnel imerso.
E isso demandará a interdição temporária e parcial dos fluxos de navios e das atividades portuárias. O efeito colateral dessas paralisações no tráfego de embarcações pode ser a transferência de cargas para outros portos do Sudeste e do Sul do País durante períodos mais prolongados das atividades de engenharia.
O Rima está em análise na Cetesb e foi elaborado por nove profissionais entre engenheiros civis e florestais, biólogos, sociólogos e geólogos ligados à FIPE.
