Ao ir até a Avenida Gheorghe Popescu, em Peruíbe, para comer torresmo o operador de máquinas Marco Antônio de Lucena, de 44 anos, foi morto a tiros, por engano, por um matador de aluguel, tendo sido confundido, por suas características físicas, com o alvo dos assassinos, o entregador Nilton Antônio Junior, de 43, que foi morto no mês seguinte, em 2 de março, no mesmo bairro, o Jardim Ribamar. O esclarecimento dos fatos foi divulgado nesta segunda-feira (15) pela Polícia Civil, que neste domingo (14) prendeu, em São Bernardo do Campo, quatro pessoas acusadas de envolvimento nos assassinatos. O homem acusado de executar os crimes, conhecido como Paulinho, já tinha sido preso anteriormente.
Marco Antônio trabalhava em uma madeireira, deixa um filho adulto e uma filha adolescente. Ele tinha como meta tirar sua habilitação para comprar sua sonhada primeira motocicleta, conforme apurou o Diário do Litoral.
A equipe do delegado Marcos Roberto da Silva, titular de Peruíbe, e do investigador-chefe, Adalberto Ribeiro, apurou logo após o segundo homicídio que foram empregados o mesmo modus operandi e que as perfurações nas vítimas indicavam a utilização do mesmo tipo de arma de fogo.
Paulinho usou o cartão bancário da mulher em um bar antes de cometer o segundo crime e isso possibilitou a sua identificação. Ele chegou, inclusive, a deixar cair a arma no estabelecimento antes do homicídio.
Imagens de monitoramento reunidas pela polícia mostram ele matando Nilton, na Rua Paulo VI.
Após a primeira prisão, os investigadores descobriram que a motivação dos criminosos envolveu uma disputa judicial envolvendo um imóvel relacionado a ex-companheira do segundo homem acusado de executar os crimes, que usava um Palio verde para trazer Paulinho à Baixada e dava cobertura, segundo a polícia.

A ex-companheira do homem que trazia Paulinho e o atual marido dela, temendo serem despejados do imóvel onde moram, planejaram a execução de Nilton para que os filhos do casal herdassem o imóvel e ambos fizessem uso do patrimônio, conforme a investigação.
Paulinho e o comparsa nas execuções são dois matadores de aluguel com antecedentes criminais e vasto histórico de violência, segundo a Polícia Civil. O motorista do Palio, segundo a polícia, ainda contou com auxílio material de sua companheira, que também está presa.
Os policiais apuraram que Paulinho recebeu R$ 3,5 mil para a prática dos crimes e o motorista do Palio, o próprio veículo como forma de pagamento.
Iminência de fuga
A Polícia Civil representou pelas prisões temporárias das quatro pessoas que foram descobertas após a primeira captura e os mandados foram deferidos pelo Poder Judiciário.
Neste domingo, havendo indícios de que o casal que arquitetou os crimes deixaria o Estado de São Paulo, os policiais optaram por realizar as prisões na mesma data, de forma simultânea. Um procurado por estupro também foi preso na operação, tendo sido capturado na casa do motorista do Palio.
Além do delegado titular de Peruíbe e do investigador-chefe, participaram das ações o delegado assistente, Arilson Veras Brandão, e os policiais Anderson Lomenzo, Adriana, Roberto, Ivana e Mario. Houve ainda apoio do Grupo de Operações Especiais (GOE) de São Bernardo do Campo.
