Presente no cotidiano dos brasileiros, nas feiras e mercados, a tangerina é conhecida por uma infinidade de nomes: mexerica, ponkan, bergamota, carioquinha, mimosa, entre outros.
Popular e aromática, a fruta também carrega uma história curiosa do ponto de vista botânico, já que integra uma “família” complexa, é ancestral da laranja e, ao mesmo tempo, resultado de cruzamentos que deram origem a diversas variedades de citros.
O Brasil produziu cerca de 1 milhão de toneladas de tangerina em 2021 e ocupa a quinta posição no ranking mundial, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). À frente do país estão China, Espanha, Turquia e Marrocos.
Em território nacional, São Paulo e Minas Gerais lideraram a produção naquele ano, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Atualmente, a cultura da tangerina está presente em todas as regiões brasileiras.
Muitos nomes, uma só fruta
A diversidade de nomes da tangerina no Brasil está diretamente ligada aos processos de colonização e às influências culturais regionais. Apesar das diferenças na nomenclatura, o consumo é bastante semelhante, a fruta é apreciada principalmente in natura e também na forma de suco. A facilidade para descascar e o aroma marcante estão entre seus maiores atrativos.
Além do consumo direto, a tangerina também tem grande importância industrial. Seus frutos são utilizados na produção de sucos concentrados, óleos essenciais, pectina e até rações, ampliando o valor econômico da cultura.
Produção mundial sob pressão
O mercado global de tangerinas vive um período de transformações significativas. Produtores de diferentes continentes enfrentam desafios simultâneos relacionados ao clima, à logística e às mudanças no comportamento do consumidor. A atual temporada tem sido marcada por uma combinação de fatores que impactam diretamente a oferta e a qualidade da fruta no mercado internacional.
Entre os principais desafios do setor estão:
A sobreposição entre o fim da colheita do hemisfério sul e o início da safra europeia, gerando excesso temporário de oferta; Temperaturas elevadas na primavera e secas prolongadas no verão, que reduziram o tamanho dos frutos em diversas regiões; Restrições comerciais e instabilidades geopolíticas, que alteraram rotas tradicionais de exportação, especialmente para o mercado russo
Diferenças entre a coloração esperada pelos consumidores e a aparência natural da fruta em anos de grandes oscilações térmicas
Como a Europa reage às mudanças climáticas
Na Itália, a região da Calábria concentra cerca de dois terços da produção nacional de clementina, com mais de 36 mil hectares cultivados, sendo 26 mil dedicados exclusivamente a essa variedade. Agricultores italianos e espanhóis têm investido em variedades de maturação tardia, buscando escapar da concorrência direta no início da safra.
Na Espanha, o atraso biológico no amadurecimento das frutas causou um descompasso entre os preços definidos na compra antecipada da produção e os valores praticados posteriormente no mercado, pressionando a rentabilidade dos produtores.
Exportações em transformação
O comércio internacional de tangerinas também passou por mudanças relevantes nos últimos anos. Países emergentes ampliaram sua presença, enquanto produtores tradicionais buscam novos acordos e mercados consumidores.
Entre os principais destaques estão:
- África do Sul, que aumentou suas exportações de 40 milhões de caixas em 2023 para 53,5 milhões em 2025, com maior foco no mercado asiático
- Marrocos, que registrou crescimento de 43,8% nas exportações, impulsionado pela variedade Nadorcott e por condições climáticas favoráveis
- Índia, que passou a receber volumes crescentes de fruta da China e da África do Sul, com consumidores valorizando sabor e durabilidade
- Califórnia, que mantém participação estável no mercado norte-americano, com safra de boa qualidade até meados de janeiro
Curiosidade: mais nova que a Kombi
Embora pareça onipresente na mesa dos brasileiros, a tangerina é mais nova no país do que um ícone da indústria automobilística. Em 1957, antes mesmo de a fruta se popularizar nos portos brasileiros, a Volkswagen iniciou no Brasil a produção da Kombi, o primeiro veículo da marca fabricado no país.
O nome vem da ideia de “combinação”, já que o modelo servia tanto para o transporte de cargas quanto de passageiros. Com o passar das décadas e a crescente busca por veículos mais modernos, o setor automobilístico nacional passou por profundas transformações, especialmente a partir de 1973, quando teve início uma verdadeira revolução tecnológica e de design no país.
Assim como a Kombi marcou gerações, a tangerina segue atravessando o tempo, adaptando-se a novos mercados, desafios climáticos e hábitos de consumo, sempre presente no cotidiano dos brasileiros.