Pedágio Free Flow: reclamações e fraudes desafiam sistema sem cancela

ANTT avaliou como satisfatório o funcionamento do sistema nos últimos 14 meses, mas ainda existem arestas para acertar no serviço

Concessionárias responsáveis pelo pedágio free flow não enviam boletos de cobrança

Concessionárias responsáveis pelo pedágio free flow não enviam boletos de cobrança | Divulgação/ANTT

Os primeiros 14 meses de operação dos pedágios free flow foram classificados como satisfatórios, mas ainda precisa de ajuste na parte tecnológica e na comunicação com os usuários. Assim, avaliou o primeiro balanço do serviço feito pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) nas três praças implantadas na BR-101, operadas pela CCR RioSP.

O free flow, conhecido também como “sem cancela”, é um modelo de cobrança de pedágios sem praças físicas. Por ele, os veículos são identificados ou por um etiqueta eletrônica (TAG) ou pela placa do veículo. Quem não paga pela tag é cobrado posteriormente, com prazo de 15 dias para efetivação do pagamento.

Após o prazo de inadimplência, além de dever a tarifa, fica caracterizada uma infração grave de trânsito, com multa de R$ 195,23. 

Dentre os 15,9 milhões de veículos em circulação no período, apenas 772 mil foram autuados por inadimplência e 38 mil foram invalidados após verificação de que se tratavam de “erros diversos”, como cobrança duplicada e pagamento feito mas não apurado. A inadimplência na concessão ficou em 12,49% em março de 2023, chegou a mínima de 8,96% em janeiro deste ano e, em março, ficou em 9,70%.

Apesar da avaliação geral positiva por parte da ANTT e da CCR, o sistema de pedágio free flow foi alvo de grande volume de reclamações. Em abril, a Justiça Federal decidiu, ao ser provocada pelo Ministério Público, suspender 32 mil multas aplicadas a usuários que, em teoria, não pagaram o pedágio. O MP diz que constatou-se falha do sistema.

Golpe do boleto

A ANTT emitiu um alerta explicando que as concessionárias responsáveis pelos novos modelos de pedágio não enviam boletos de cobrança. Criminosos têm se aproveitado da novidade para aplicar golpes e desviar o dinheiro dos motoristas.

E como funciona o golpe? Na prática, os golpistas enviam falsos boletos de cobrança para as vítimas, indicando que seus veículos passaram pelo pedágio sem cancelas em determinada data. Muitas vezes, esses boletos são convincentes e levam os motoristas a realizarem o pagamento, enviando dinheiro diretamente para os criminosos.

A orientação mais importante é simples: não efetue o pagamento de boletos referentes ao sistema de pedágio sem cancelas, porque essa forma de pagamento não existe! A leitura de etiquetas eletrônicas (TAG) e a leitura da placa do veículo oferecem opções flexíveis, que não incluem o envio de boletos, para o pagamento da tarifa de pedágio, proporcionando uma experiência conveniente e eficiente para os usuários-consumidores.