Peixe reaparece no litoral após quase 30 anos desaparecido

Análise confirmou que o animal pertence à espécie ameaçada, cientista afirma ter recebido relatos de peixes como esses em outras praias

Peixe em forma de guitarra reaparece no litoral da África do Sul após 26 anos

Peixe em forma de guitarra reaparece no litoral da África do Sul após 26 anos | Foto: Kevin Cole / Reprodução

Um peixe-serra de quase três metros foi encontrado em uma praia na região do Cabo Oriental, na África do Sul. O animal foi encontrado sem vida, mas deixou os pesquisadores animados com a descoberta e ainda mais com o inusitado formato semelhante ao de uma guitarra. 

O peixe ficou desaparecido por 26 anos e alguns já o consideravam extinto. A carcaça foi encontrada com marcas de um possível ataque de predador por um morador local, chamado Mike Vincent. 

Há outros no oceano?

Mesmo após quase três décadas sem serem avistados, segundo Cole os peixes-serra podem estar voltando às águas. O cientista afirma ter recebido relatos de peixes como esses em outras praias sul-africanas, como a Praia de Kayser.

Para ele, o peixe-serra encontrado sugere que a espécie ainda marca presença ao longo da costa leste da África do Sul, sendo o registro uma forma de conscientizar a população. “O registro tornará o público mais consciente sobre o peixe-serra, o que poderá revelar registros adicionais no futuro”, explicou.

O peixe-serra é… uma raia

O focinho serrilhado dos peixes-serra pode até lembrar um tubarão-serra (Pristiophoriformes), mas são animais completamente diferentes. Esse peixe em forma de guitarra é, na verdade, pertencente à família das raias.

Segundo os biólogos, existem cinco espécies de peixe-serra, divididas em dois gêneros: o Pristis, com o peixe-serra de dentes grandes (P. pristis), peixe-serra de dentes pequenos (P. pectinata), peixe-serra anão (P. clavata) e peixe-serra verde (P. zijsron); e o Anoxypristis, com o peixe-serra estreito (A. cuspidata).

Depois de examinar o animal encontrado na costa da África do Sul, Cole chegou à conclusão de que se tratava de um peixe-serra de dentes grandes e macho, da espécie Pristis pristis.

“Eu estava relutante em fazer uma chamada imediata sobre a espécie, mas depois de examinar a posição da nadadeira dorsal, logo na frente das nadadeiras pélvicas, e contar os dentes grandes (21 de cada lado, com alguns faltando), entendi que a morfometria deve confirmar que a espécie é um peixe-serra de dentes grandes e macho”, explicou.

Os peixes-serra habitam regiões tropicais e subtropicais em diferentes partes do mundo. Podem ser encontrados em rios, manguezais, estuários e áreas costeiras rasas, com registros no Atlântico — do Caribe ao Brasil e costa da África — e no Indo-Pacífico, incluindo Índia, Sudeste Asiático e norte da Austrália.

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No Brasil

Existem registros históricos do peixe-serra ao longo do litoral, sendo os últimos registros comprovados da espécie ocorreram nas décadas de 1970 e 80, no Pará e no Ceará, respectivamente. 

No Brasil, em 2007, foi classificado como criticamente em perigo na Lista de espécies de flora e fauna ameaçadas de extinção do Estado do Pará. Em 2010, como vulnerável no Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná e em 2014 como regionalmente extinto no Livro Vermelho da Fauna Ameaçada de Extinção no Estado de São Paulo.