Praga devastadora ameaça a produção de bananas no Brasil e acende alerta nacional

Reunião de emergência discute os riscos da importação de frutas que podem carregar fungo incurável

Setor agrícola teme que abertura para mercado estrangeiro traga doença que ainda não existe no país

Setor agrícola teme que abertura para mercado estrangeiro traga doença que ainda não existe no país | Reprodução/Freepik

A possibilidade de importação de bananas do Equador mobilizou produtores, representantes do setor e autoridades em uma reunião na Casa Civil nesta quarta-feira (18).

O encontro reuniu bananicultores de diferentes regiões do país, integrantes dos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário, parlamentares e representantes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Durante a reunião, os produtores destacaram a importância estratégica da banana para o país. A fruta é cultivada em uma área de aproximadamente 470 mil hectares e tem produção anual superior a 7 milhões de toneladas, gerando emprego e renda para milhares de famílias, especialmente da agricultura familiar.

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O principal temor do setor produtivo é o impacto da concorrência com a fruta equatoriana e os riscos fitossanitários que podem acompanhar a importação. O foco das preocupações está na possível introdução do fungo TR4 (Fusarium oxysporum f. sp. cubense) , uma praga quarentenária que ainda não chegou ao Brasil.

Praga pode inviabilizar áreas produtivas

Segundo dados do Ministério da Agricultura e da Embrapa, o TR4 é uma das maiores ameaças à bananicultura mundial. O fungo afeta variedades importantes para o consumo interno, tem alta capacidade de permanência no solo e pode tornar áreas produtivas inviáveis por longos períodos.

No encontro, produtores e técnicos alertaram que a entrada da praga no país traria consequências graves para toda a cadeia, desde pequenos agricultores familiares até o abastecimento interno e a economia das regiões produtoras.

CNA defende avaliação rigorosa

A assessora técnica da CNA, Letícia Barony, reforçou a posição da entidade de que qualquer decisão sobre a importação deve ser baseada em critérios técnicos rigorosos.

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“Qualquer avanço nessa discussão deve estar necessariamente amparado por análise técnica rigorosa, critérios sanitários robustos, rastreabilidade e mecanismos efetivos de prevenção, de modo a resguardar a produção brasileira e evitar danos de difícil reversão para a bananicultura nacional”, afirmou.

O governo informou que os estudos de Análise de Risco de Pragas (ARP)seguem em andamento. O objetivo é avaliar os riscos associados à entrada de pragas quarentenárias ainda ausentes no Brasil e definir possíveis medidas de mitigação, com o compromisso de proteger a cadeia produtiva nacional.