A vereadora Dr. Diana (PL), de Ilhabela, no litoral norte paulista, promete entrar com uma representação na Justiça contra o prefeito Antonio Colucci (PL) por violência política depois de uma discussão na qual ele a mandou se sentar e se comportar.
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A parlamentar – que é advogada e já foi presidente da Câmara Municipal – fazia uma filmagem em 21 de julho deste ano em um local em seria feita uma licitação, quando o prefeito chegou se iniciou uma discussão tensa.
O prefeito então disse que a vereadora poderia acompanhar a sessão, mas a mandou sentar. “Você sente ali e se comporte”, diz. “A senhora já tentou atrapalhar muitas licitações”.
O chefe do Executivo também a chamou de mentirosa, e disse que se vereadora atrapalhasse, ele iria retirá-la da sala. “Me tira então”, responde ela.
À Gazeta, a vereadora explicou que, mesmo sendo do mesmo partido de Colucci, ela faz um trabalho de oposição à gestão atual.
“Apesar da gente ser do mesmo partido, sou oposição a ele na Câmara. Venho fazendo meu trabalho de fiscalização há alguns anos, e ele fica sempre muito irritado com as fiscalizações que eu faço. Ele tenta me intimidar de diversas formas, às vezes na rádio, nas redes sociais, nas reuniões. Nos eventos que ele faz sempre fica uns cinco minutos falando mal de mim”, explicou.
Ela também revelou que costuma filmar as licitações municipais para garantir a clareza do resultado e “evitar falcatruas”.
“Tem uma lei que determina que toda licitação deve ser transmitida ao vivo, e eles não querem cumprir essa lei. Então comecei a ir em transmissões que chamam mais a atenção e transmitir ao vivo. Eu estava transmitindo e ele deixou um evento com o governador, que estava na cidade, e apareceu no setor de fiscalização para tentar me intimidar”, disse.
A licitação, segundo ela, era para gerir as redes sociais da prefeitura pelo valor de R$ 4 milhões, e estaria, ainda conforme a parlamentar, direcionada para uma pessoa específica.
Depois da discussão, Dra. Diana afirmou que vai entrar com uma representação contra Colucci baseada na lei sobre violência política de gênero. Ela é a única vereadora mulher do litoral norte paulista.
A lei de 2021 “estabelece normas para prevenir, reprimir e combater a violência política contra a mulher, nos espaços e atividades relacionados ao exercício de seus direitos políticos e de suas funções públicas”.
Em nota, a Prefeitura de Ilhabela diz espeitar a independência dos Poderes e afirma que os parlamentares têm livre acesso aos espaços da administração pública.
“Nessa lógica, a prefeitura não pode permitir a transformação de processos e condutas da administração pública em palco para desenvolvimento de atividades políticas e tampouco que funcionários públicos sejam constrangidos no exercício da função, prática que vem sendo executada pela vereadora em questão”, completa a gestão, na nota.
