Do discurso em áudio de Michel Temer antes das votações de impeachment em 2016 até as trocas de mensagens entre Jair Bolsonaro e seu ex-secretário geral, Gustavo Bebbiano, reina com popularidade na esplanada o WhatsApp, independente de quem usa a faixa presidencial. Nesse sentido, o aplicativo também já se conecta com o cotidiano das demais repartições públicas do país.
Por exemplo, na Prefeitura de Bertioga há um grupo no aplicativo específico para um Plano de Contingência para situações de emergência, como eventuais catástrofes ou chuvas intensas que afetem bairros ou a Rodovia Mogi-Bertioga. Na rede, membros de diversas pastas, como secretarias de Segurança e Cidadania, Serviços Urbanos e Defesa Civil monitoram as futuras ações integradas.
“É possível o bom uso do WhatsApp, já que é uma medida inteligente para alcançar o destinatário, partilhar informações. Também no grupo virtual de secretariado, enviamos avisos e lembramos de reuniões”, comenta o prefeito Caio Matheus. Ele reconhece que os funcionários, de modo geral, utilizam a rede social, mas que é pertinente que, quando no expediente, sirva como uma ferramenta de auxílio na rotina de trabalho.
DA DEFESA CIVIL À SAÚDE
Na Defesa Civil de São Paulo, “em que pese os meios oficiais de comunicação, como ofícios, e processos internos, a rede agiliza sim a comunicação entre os representantes das diversas regiões do Estado”, salienta o Capitão Richard Braga de Oliveira Tom. “A Internet como um todo é uma ferramenta que revolucionou o jeito de trabalhar, e o aplicativo, principalmente, garante o envio de mídias, como áudios, fotos e vídeos”.
As distâncias também se reduzem em grupos virtuais internos da Secretaria de Saúde do Governo de São Paulo. “Nós utilizamos quando identificamos uma emergência e buscamos uma resolução, seja em relação ao atendimento de um usuário, seja uma questão administrativa”, exemplifica a diretora do Departamento Regional de Saúde (DRS IV), Paula Covas Borges Calipo. Tanto ela, quanto o prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão, fizeram ressalvas à rede social.
“O ideal é que haja um WhatsApp em um aparelho corporativo, voltado para questões de trabalho. Além disso, é importante que cada colaborador filtre o que pode ou não comunicar, assim que o grupo criado se restrinja ao seu objetivo, se não vai gerar muita informação sem necessidade, passa a ser um órgão de comunicação lato sensu”, destaca o político.
EVITANDO ISOLAMENTO
Claro que nem sempre o gestor público estará envolvido em todos os grupos internos da rede. Nesse triênio, o vice-prefeito de Cubatão, Pedro de Sá Filho, chegou a acumular pastas de Cultura, Educação e Planejamento. “Mas assessores próximos acompanhavam os grupos e, assim, lembro que tínhamos maior noção sobre as ocorrências da rede municipal de ensino”. Segundo ele, os grupos internos também podiam colaborar para informes e esclarecimentos junto à equipe.
Além do uso dentro das repartições governamentais, o programa também pode facilitar o acesso à população aos serviços públicos – confira no infográfico os serviços disponíveis das prefeituras da Baixada Santista. “Em Peruíbe, ele é um canal para encaminharmos informações oficiais aos munícipes, em listas de transmissão. As redes sociais também são meio de comunicar com os cidadãos”, comenta o prefeito Luiz Maurício.
“O WhatsApp se tornou indispensável, por exemplo, para nos comunicarmos com os moradores do Guaraú, além de atualizarmos as informações quando ficaram isolados por uma semana”, ele diz se referindo ao bairro que teve a estrada bloqueada em maio deste ano.
DIREITO AO DESCANSO
De acordo com a professora Doutora de Direito do Trabalho da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), Lilian Bakhos, o WhatsApp como outras redes sociais já está sendo previsto na legislação, como na reforma trabalhista, quando foi criado o trabalho intermitente – regime sem número de horas fixas ou datas de atuação profissional. “A própria lei entende que o patrão pode convocar o trabalhador em qualquer meio de comunicação que seja eficaz, e o aplicativo é a forma mais comum hoje em dia.”
Por outro lado, recomenda-se o uso com bom senso, somente em questões emergenciais, evitando fora do horário de trabalho, com exceção de cargos de confiança, pela natureza do trabalho, ou quando há cargos que demandem atividades fora do expediente. “A França e outros países já garantem o direito ao descanso, que é quando o trabalhador não precisa ser comunicado por questões de trabalho, quando não são urgentes.”
Lilian também orienta ser melhor quando o uso do WhatsApp é em telefones corporativos, e salienta que não há obrigatoriedade de funcionários aderirem a grupos virtuais, mas, quando inseridos, precisam ter uma conduta profissional. Ainda, de que não há problema do “zapzap” tocar fora do expediente quando os grupos são específicos para a socialização dos colegas.
