Produtos de até US$ 50 apresentam 11% de aumento nas importações

O item mais importado da China são meias e mochilas; especialista avalia que parceria com Brasil vai longe por necessidade

Nesta segunda (27), lojistas vão oferecer descontos de até 90% em produtos na Cyber Monday

O produto que o Brasil mais comprou da China são meias e meias-calças | Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

A importação de produtos com valor de até US$ 50, o equivalente a cerca de R$240, cresceu 11,4% nos sete primeiros meses deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados são da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviço e Turismo. O total de itens chegou a 3,3 bi de itens. A maioria veio da China. 

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Lincoln Fracari, especialista em importação e diretor executivo da China Link Trading, maior consultoria de importação Brasil – Ásia, explica que o fenômeno tem a ver com a fácil compra pela internet: “Os produtos abaixo de 50 dólares contribuem para esses números, principalmente no market place, que são as lojas virtuais; esses sites oferecem a possibilidade de fazer compras internacionais. É o caminho mais barato e o empreendedor compra volume maior e revende!”. 

O produto que o Brasil mais comprou da China são meias e meias-calças, foram 232 milhões de unidades,  o que representa aumento de 44% em relação ao ano passado. Em seguida, as mochilas, 82 milhões de unidades e um aumento de 56% em comparação com 2022. Em terceiro lugar, 46 milhões de lâmpadas. Na ordem, a lista continua com bolsas, lapiseiras, guarda-chuvas, luminárias, escovas para cabelo e blusas femininas.

Lincoln Fracari diz que a tendência de comprar produtos da China ainda vai longe. É que o Brasil precisa investir em indústria. Enquanto o cenário é esse, a necessidade de importar permanece como realidade: “A parceria China e Brasil vai continuar, vai longe. O Brasil é uma fazenda para o mundo, produzimos comida em excesso. A China depende dos nossos grãos pra alimentar a produção suína. Nosso país fomentou a economia num modelo com baixa indústria e, por isso, importamos produtos prontos da China. Esse cenário não deve ser modificado!”.

Para a confederação, o aumento de importação de produtos estrangeiros tem a ver com a alta carga de impostos do Brasil por causa do tratamento tributário diferenciado para encomendas com valor unitário que não ultrapassem US$ 50. Atualmente, esses produtos não estão sujeitos à tributação caso sigam normas do novo programa do governo, o Remessa Conforme. A CNC afirma que a invasão de produtos chineses no mercado brasileiro é uma realidade também em diversas outras economias no mundo.