O massacre na escola Professor Raul Brasil, em Suzano, que terminou com dez mortos, chocou o País. A tragédia também deixou os pais em alerta e levantou a questão: como ficar mais a par do comportamento e do que acontece na vida dos filhos?
Para a psicóloga e grafóloga, Dra. Célia Siqueira, voltar com os rituais simples de família, como se reunir no café da manhã, almoço e jantar, pode ajudar. “Se não tem tempo na semana, aproveite o fim de semana. Pratique esportes com os filhos, fique mais presente em suas atividades”, recomenda.
Estar de olho nas redes sociais também é importante. “Saiba mais sobre o mundos das crianças e jovens, o que estão curtindo, interaja com eles nas redes sociais e saiba o que pensam em relação aos assuntos atuais”, diz. “Fique por dentro do que eles estão fazendo, do que estão postando e conversando em aplicativos. E então, através de uma análise geral identifique se há algum problema com a criança ou adolescente e, em caso positivo, procure ajuda profissional”.
De acordo com a psicóloga, existem algumas pequenas mudanças de comportamento, que podem ser sinais. “Se era mais comunicativo e ficou introspectivo; mudou a forma de se vestir, optando por roupas de tons mais escuros; se está se ferindo fisicamente de alguma maneira; como se comporta com os amigos e com outras pessoas na presença dos amigos; e se socializa ou não”.
A saúde dos jovens também podem ser sinal de alerta, segundo Siqueira. “Verificar se está com alguma alergia, irritação ou coceira, pois os sinais de alerta podem vir até da saúde, que sempre dá um aviso de algo errado”.
A tragédia também voltou a promover debates sobre pais que terceirizam a educação dos filhos para as escolas. A psicóloga ressalta que o papel da escola é educar dentro do técnico, mas a educação ‘real e emocional sai de uma base familiar’. “A melhor educação que uma criança pode ter são pais participativos. Os pais devem educar junto à escola”, afirma.
Ainda segunda a psicóloga, o ocorrido nos faz perceber como a família ficou distante. “Falta o teor religioso, falta conversa, falta participação. Os pais não são os culpados de tudo e estão aprendendo a ser pai e mãe todos os dias, mas, devem se atentar e colocar em prática o hábito do diálogo e da conversa, e ser mais família”.
TRAGÉDIA
Para a doutora, os pais não devem ignorar o assunto da tragédia. “Os pais que decidem não discutir o assunto estão simplesmente passando por cima do problema e um dia isso pode se voltar contra eles mesmos”, analisa. “É preciso contar como chegou nessa situação tão grave, pois um dos motivos foi justamente a falta de diálogo da família”, finaliza.
