As prefeituras da Baixada Santista usarão policiais militares da Operação Verão 2020/21 para controlar o acesso às praias neste Réveillon por conta da Covid-19. Isso porque há receio de uma explosão de infecções. O Diário apurou outra preocupação: o efetivo das guardas municipais não chega a 1,5 mil guardas – exatos 1.461 homens e mulheres – insuficiente para conter a demanda de pessoas na orla.
Muitos guardas que entraram em contato com a Reportagem se mostraram preocupados com o Réveillon atípico que a pandemia acabou impondo. Há guardas de férias, licenciados, lotados em outras secretarias municipais e até nas defesas civis. As prefeituras estão empenhadas em colocar o máximo possível de guardas na virada do ano nos oito municípios praianos.
Em Santos, segundo informações obtidas pela Reportagem, já há um clima instável entre o Comando e os subordinados. “Ocorre que a guarda não possui a estrutura que o secretário e o prefeito estão vendendo à população. Tem guarda que irá para o Réveillon que está há mais de anos sem fazer trabalho de rua. Sem contar a ausência de equipamentos para situações em que é necessário o uso progressivo da força, como o gás de pimenta, que estão vencidos”, afirma um dos guardas.
ASSOCIAÇÃO.
“A GCM de Santos e demais corporações da região não tem estrutura nenhuma para conseguir realizar esse trabalho no fim de ano. Teríamos que ter no mínimo três mil guardas na região. Isso ajudaria muito não só em função do controle do acesso por conta da Covid-19, como na prevenção da violência e criminalidade”, ratificou o presidente da Associação dos Guardas Municipais da Baixada Santista (AGCM), Rodrigo Coutinho dos Santos.
Rodrigo Santos salienta que a maioria das guardas da Baixada Santista sempre teve dificuldades para atuar por falta de estrutura, com exceção de Praia Grande, que “está muito à frente das demais, pois possui excelente estrutura e condições de trabalho. A GCM de Guarujá também teve uma melhora nas condições de trabalho e vem desenvolvendo um bom trabalho no município”, afirma.
Para o presidente da Associação, os prefeitos precisam deixar de investir recursos que deveriam ir para as GCMs e hoje são repassadas ao Estado. “Se fossemos valorizados, com certeza teríamos muito mais condições de atender as demandas de segurança pública na prevenção da violência e criminalidade, pois a Lei Federal 13022/14 nos garante a realização do patrulhamento preventivo e preservação da vida da população”, finaliza.
EXEMPLO.
No último dia 15, o Diário publicou reportagem que exemplifica o testemunho de presidente da Associação, quando parte dos veículos da GCM de Santos se mostram sucateados. Os guardas informaram que receberam reparos depois da reportagem.
As bases da guarda santista também estão mal conservadas. Uma delas é a do Paquetá, em que há salas com o teto cheio de infiltração, aparentemente com o concreto podre. As coordenadorias continuam em instalações improvisadas e muitas das vezes o guarda tira dinheiro do bolso pra mantê-las minimamente utilizáveis.
Enquanto isso, a Polícia Militar, de responsabilidade do Estado, recebe uma base, na Avenida Governador Mário Covas, 3.060, próximo ao Mercado de Peixes, em frente ao Santos Convention Center. A base é mais uma das obras que compõe o projeto Nova Ponta da Praia.
As prefeituras já anunciaram que não haverá a tradicional queima de fogos da virada. Os prefeitos já solicitaram ao governo estadual ajuda logística para impedir aglomerações e desencorajar turistas a fazer o “bate e volta” na virada. Em caráter reservado, integrantes do governo admitem que haverá endurecimento das restrições no Plano São Paulo – o programa estadual de reabertura econômica – a partir de 4 de janeiro. Haverá barreiras sanitárias.
É prevista a medição de temperatura dos visitantes, mas não a exigência de comprovante de imóvel na região ou teste de Covid com resultado negativo. Nos calçadões e areias, o modelo que será adotado em Santos é praticamente o das demais cidades, com diferença de algumas pequenas regras de posturas, que podem ser acessados nos sites oficiais.
SANTOS.
Como forma de evitar aglomerações a Prefeitura de Santos seguiu orientações da PM e de autoridades sanitárias. Haverá restrições nos horários de montagem de barracas e no funcionamento do comércio ambulante e dos quiosques. Os canais e passarelas de acesso serão isolados com gradis. O descumprimento das medidas acarretará multas, apreensões de mercadorias e até a suspensão da licença.
A Guarda Municipal atuará, em toda a extensão da praia, com cerca de 140 guardas municipais, 12 viaturas, equipe de drones, base de monitoramento, além de motocicletas e quadriciclos. Os prefeitos já solicitaram apoio da PM na restrição de acessos às cidades. A Prefeitura não informou quantos policiais militares virão para a cidade.
Praia Grande, por exemplo, terá um reforço de 500 policiais. Guarujá recebeu 450. Os efetivos chegaram ontem aos municípios.
