Um amplo espaço vazio, cercado por tapumes é o existe atualmente onde outrora estava localizada a praça de doces e artesanato da Biquinha de Anchieta, em São Vicente. A reforma do espaço foi anunciada em julho de 2014 e as obras tiveram início em agosto de 2015, com prazo inicialmente estabelecido para o término de 12 meses. Passados dois anos desde o primeiro anúncio, quase nada foi feito na área.
Orçada em R$ 2,7 milhões, a obra, que tem recursos da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Regional – Unidades de Articulação com os Municípios, está paralisada aguardando análise de documentação encaminhada ao convênio (Casa Civil do Estado de SP) devido a alterações no projeto, conforme solicitação do CONDEPHASV. De acordo com a Administração, não há prazo para a entrega do equipamento.
Em março de 2013, 12 quiosques localizados na Praça da Biquinha de Anchieta foram destruídos devido a um incêndio no local. A revitalização da área é aguardada desde o período, após a precarização dos serviços prestados e a queda no número de visitas no espaço.
Datado de 1553, a Bica da Fonte do Povoado, tem relevância singular na colonização brasileira, especialmente na catequização dos índios, pois, através do colégio vicentino, o então Padre, hoje Santo José de Anchieta, ministrava aulas de catequismo junta à Biquinha. Atualmente, os tapumes instalados permitem apenas a visita no monumento.
Entenda o projeto criado para o espaço
O projeto previa uma Biquinha totalmente reformada, com construção de sete amplos quiosques duplos, mesas, iluminação decorativa, segurança, playground e banheiros com acessibilidade.
Segundo a Prefeitura de São Vicente, a praça da Biquinha teria um centro comercial com 51 boxes que comercializarão produtos diversos. O local também teria coberturas trocadas, pinturas e drenagem para eliminar as infiltrações existentes.
Painéis contando a história do Santo José de Anchieta e do local, fundado em 1553 também seriam instalados, além da construção – entre o centro comercial e a Biquinha – de balanços, gangorras e escorregadores.
Espaço provisório para permissionários está abandonado
Enquanto a obra de revitalização prometida não sai do papel, os permissionários das lojas que existiam no espaço foram transferidos para a Praça 22 de Janeiro. No entanto, a estrutura fornecida é precária. Além disso, os comerciantes questionam a falta de policiamento no local e o abandono da Praça, que está repleta de pombos e se transformou em abrigo para pessoas em situação de rua.
Luiz Carlos estava sentava ao lado de sua banca de doces, a única aberta na tarde da última terça-feira (14) na deserta Praça 22 de Janeiro. “Esse box é uma tradição de família. Temos há mais de 40 anos e nunca passamos por uma humilhação tão grande. Não consigo nem te falar o quanto perdemos de movimento.
Beira quase o 100% de queda. Ninguém mais vem até aqui. Além de ser perigosa, a praça está feia e suja. É uma vergonha e uma tristeza muito grande”, desabafou o comerciante.
Sem estar com a banca montada, o também permissionário da praça de doce Luiz Moreira afirmou que o local, que antes era ponto de encontro de turistas, está abandonado. “Sei que nem tudo é culpa do prefeito, pois ninguém governa sozinha, sem a ajuda do Estado, mas isso não muda o fato de estarmos completamente abandonados”.
A Prefeitura de São Vicente disse que a manutenção das coberturas dos box provisórios de atendimento é de responsabilidade dos permissionários. Garante ainda que o policiamento na área é feito pela Polícia Militar. A Guarda Civil Municipal exerce prevenção com patrulhamento na Praça Tom Jobim, Posto de Atendimento, bem como mantém viatura estacionada 24 horas/dia na Praça 22 de Janeiro, patrulhamento a pé na extensão das praças e Deck do Pescador (que se encontra interditado). Garante também que há um ônibus de monitoramento no píer de frente à Praça Heróis de 32, no Gonzaguinha.