Alívio momentâneo para a crise financeira que assombra a Santa Casa da Misericórdia de Santos. Na manhã de ontem, a presidente da Caixa Econômica Federal, Miriam Belchior, oficializou um empréstimo de R$ 94 milhões solicitado pelo hospital junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O valor estará liberado na primeira quinzena de janeiro, assim que o hospital cumprir exigências contratuais.
Para o provedor da Santa Casa, doutor Felix Alberto Ballerini, o montante irá amenizar o deficit atual acumulado, estimado em R$ 141 milhões, e saldar grande parte dos honorários médicos atrasados. “Também será possível quitar alguns débitos com fornecedores que, mesmo sem receber, continuaram disponibilizando insumos para que o hospital pudesse realizar seus mais de 100 mil procedimentos mensais”.
A presidente da Caixa Econômica Federal, agente financeira responsável pela transação, Miriam Belchior, destacou que o aporte financeiro para a unidade é um ato histórico para a saúde pública na Baixada Santista. “Acreditamos que será possível sanar parte da dívida e quitar os débitos que estão em atraso com os fornecedores. Com isso, o hospital terá um fluxo financeiro mais saudável e consequentemente haverá um investimento maior para que o população seja melhor atendida”.
Atualmente, o hospital possui mais de 3.600 funcionários e 700 leitos instalados. Destes, 60% dos serviços são destinados para o Sistema Único de Saúde (SUS).
Valor não quita todas as dívidas
Embora sirva para minimizar os impactos financeiros, o valor corresponde a apenas dois terços do montante necessário para que o hospital salde suas dívidas, que giram em torno de R$ 141 milhões.
“Fomos até onde era possível ir neste momento. Caso o Ministério da Saúde flexibilize mais os recursos do SUS, a Caixa pode novamente entrar para fazer um aporte complementar. Mas é preciso aguardar essa mudança de regra”, afirmou Miriam Belchior.
De acordo com ela, a liberação de recursos tem basicamente dois pilares. O primeiro é a receita do Sistema Único de Saúde. A entidade pode se endividar em até 30% do que recebe do SUS e este valor é usado como garantia do contrato. O outro pilar são as garantias que ela pode apontar, como imóveis, que dão o conforto para que o banco possa adiantar os recursos. “Sendo assim, neste primeiro momento foi possível apenas a liberação de parte do montante solicitado”, destacou a presidente.
Atrasos nos salários
Questionado sobre as reclamações de atrasos nos salários, o provedor da Santa Casa, doutor Felix Ballerini disse que a Santa Casa está em dia com a maior parte dos salários dos funcionários. “Apenas a segunda parcela do 13º que ainda não foi quitada, mas o hospital está trabalhando para solucionar isso. Sobre as férias, apenas os funcionários que saíram a partir do dia 10 de dezembro ainda não receberam o adiantamento, mas isso também será solucionado em breve”.
Ele também admitiu que há atrasos no pagamento de honorários médicos. “Não será possível saldar neste momento todos os débitos com os médicos e nem com os fornecedores, mas será possível equacionar essa dívida”, destacou.
