O novo secretário da Saúde do governo de São Paulo, Eleuses Paiva, falou nesta quarta-feira (4) sobre os planos para a sua gestão. Entre os pontos aos quais deu foco, Paiva afirmou que pretende ampliar a vacinação infantil e investir em telemedicina como forma de reduzir as filas de acesso à saúde no Estado.
Apesar de afirmar que a vacinação de crianças é a melhor forma de prevenção de doenças, o secretário preferiu se esquivar da polêmica sobre obrigatoriedade da imunização.
“Nós vamos investir muito em prevenção, não dá pra gente falar em prevenção se a gente não falar em vacinação. Vacina é a melhor ferramenta custo-benefício quando nós pensamos em prevenção.” , afirmou Paiva ao Bom dia SP. E emendou: “O que nós queremos levar é informação pra sociedade. Quando nós falamos em obrigatoriedade, eu acho muito mais importante que a obrigatoriedade, uma campanha de conhecimento, levar informações técnicas e científicas”.
Ao longo da campanha eleitoral, Tarcísio de Freitas (Republicanos), atual governador de São Paulo, se disse contrário à obrigatoriedade da vacinação de crianças, mesmo com as exigências legais.
As escolas de São Paulo precisam informar, por lei, o conselho tutelar caso os pais não apresentem o comprovante de imunização das crianças, segundo a Secretaria da Educação.
O aluno, no entanto, não é obrigado a deixar de frequentar a escola caso não esteja vacinada. Já de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), “é obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias”.
Paiva defendeu que a vacinação seja realizada já dentro das escolas. Para isso, o secretário explicou que pretende usar dados da Secretaria da Educação para identificar as crianças que estão com a vacinação atrasada.
“Nós vamos começar com uma grande campanha, aproveitando que nós temos matrícula escolar pra poder fazer um grande rastreamento das crianças que não tão de acordo com o PNI”, disse.
Leitos desativados
Na mesma ocasião, o líder da pasta da Saúde paulista disse que o Estado carece de falta de gestão em assuntos como o número de leitos alta complexidade desativados em hospitais.
“Nós temos hoje sete mil leitos inativados dentro do estado de São Paulo ou por falta de custeio – o estado não teve condições de custear adequadamente, – ou por falta de recursos humanos”, afirmou na entrevista.
De acordo com o secretário, o problema atinge instituições como o Hospital das Clínicas e o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), que são unidades de alta complexidade.
Dois andares do ICESP, hospital referência em oncologia, estão inativos, segundo Paiva. Ele prometeu solucionar a questão em 90 dias.
“É muito grave porque nós pegamos o Hospital das Clínicas com 400 leitos desativados. Nós temos o Hospital de São Paulo com 380 leitos desativados, nós temos a Santa Casa com 300 leitos (desativados)”, afirmou.
“Eu não tenho no orçamento desse ano custeio para esses sete mil leitos fechados. Nós já estamos conversando com o governador Tarcísio para estarmos procurando custeio e montarmos gradativamente uma logística e para podermos ter esses leitos funcionando”.
Telemedicina
Assim como adiantado por Tarcísio de Freitas nesta terça-feira (3), a telemedicina será um dos focos da nova administração estadual para reduzir as filas por atendimento na atenção básica.
O secretário afirmou que a ideia é fazer parcerias com universidades para que especialistas atendam os pacientes dentro das unidades, mas à distância, pelo computador. A estratégia visa atender quem tem problemas de acesso à internet em casa.
“Modelo começa com as universidades, em pequenos municípios e, depois, ampliar para o Estado. (…) O paciente continuará a ir até a unidade básica e será atendido via teleconsulta dentro da unidade.”
Perfil do secretário
Paiva é ex-deputado federal e ex-vice-prefeito de São José do Rio Preto, no interior paulista. Atualmente é filiado ao PSD, partido de Gilberto Kassab.
Ele também atuou como presidente da Associação Médica Brasileira, entre 1999 e 2005, e é especializado em Medicina Nuclear pela Universidade de São Paulo (USP).
Na pandemia de Covid-19, foi a favor das máscaras e da vacina contra a doença
