“A situação do comércio de Itanhaém é bem preocupante”. A afirmação é do presidente da Associação Comercial de Itanhaém (Acai), Roberto Campos. Apesar de os estabelecimentos comerciais terem aderido ao período da quarentena, segundo ele, todos esperavam que alguns impostos e taxas municipais fossem ser prorrogados e os empréstimos mais facilitados, porém essas ações estão demorando a acontecer.
Ele explica que alguns comerciantes estão bastante angustiados e à beira de um colapso. “O prefeito já havia assinado um decreto municipal, no dia 20 deste mês, para flexibilizar alguns tipos de atividades comerciais, mas dois dias depois, o Poder Judiciário cancelou”, lamenta.
A Acai tem orientado os empresários a adotarem algumas medidas que estão dando certo em outras cidades. Um exemplo é a utilização de serviços digitais e a entrega de mercadoria ou comida por delivery. “O problema é motivar o comerciante a olhar para algo que ele consiga fazer. Às vezes, eles não enxergam formas alternativas para poder trabalhar e ter um pequeno respiro”.
Buscar conseguir o crédito junto aos bancos, negociar com os fornecedores, se atualizar e, ainda, tentar negociar com os funcionários, são algumas das orientações feitas pela entidade aos empresários do município.
Campos lembra que a situação é ainda mais complexa no caso dos vendedores ambulantes. Cita a oferta do auxílio emergencial, feita pelo governo federal, e que pode ajudar a complementar a renda dessa categoria.
A Associação Comercial enviou à prefeitura, no final de março, dois ofícios, um deles para cobrar uma flexibilização do comércio e outro quanto ao pagamento de tributos municipais.
Sobre o parcelamento de tributos atrasados, Campos defende que o contribuinte não perca o benefício do desconto obtido na negociação. Outro pedido é que a Administração não faça mais a cobrança, via judicial, de dívidas em atraso e não sejam cobrados juros e multas, referentes a este período.
Quanto à cobrança das contas de água e luz, a entidade já pediu às concessionárias a cobrança de taxas mínimas para todas as empresas da cidade, mas, ainda não teve resposta.
FLEXIBILIZAÇÃO
Na reunião, realizada por meio de videoconferência, no último dia 17, entre o prefeito Marco Aurélio, o presidente da Câmara, Hugo Di Lallo, os presidentes das Associações Comercial, dos Engenheiros e Arquitetos, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e dos corretores do município, o objetivo foi discutir sobre a saúde e a economia.
Um dos pedidos feitos ao prefeito foi a flexibilização para a abertura dos estabelecimentos comerciais que vivem do turismo. Além de pedir a prorrogação da cobrança de impostos e de taxas municipais.
“Em comparação a outras cidades da região, Itanhaém está com baixos índices de casos confirmados da covid 19”. Na opinião de Campos, o remédio amargo para Santos não serve na mesma medida para Itanhaém, já que a realidade
dos dois municípios é bem diferente.
“Sentimos que o prefeito está preocupado com a economia local, isso porque a cidade também vai apresentar queda na arrecadação de impostos”, salienta. Campos afirma que o pequeno comerciante que não tem dinheiro em caixa, também terá dificuldades para conseguir crédito nos bancos, devido ao risco da inadimplência.
RENASCER
“A maioria dos pequenos estabelecimentos comerciais de Itanhaém já sofreu diversos períodos de crises e incertezas. Já passamos por tantas dificuldades no Brasil e a gente sempre sobreviveu”, analisa Campos. Segundo ele, o comerciante é guerreiro e está acostumado a renascer das cinzas.
De acordo com informações da Junta Comercial do Estado de São Paulo, Itanhaém conta, hoje, com 12.632 estabelecimentos comerciais.