Tarcísio rebate críticas ao pedágio free flow e diz que sistema trará justiça tarifária

Governador afirma que resistência é natural diante de novas tecnologias e cita alterações em trechos da SP-55 e da Baixada Santista

Tarcísio Freitas esteve em Cubatão na manhã desta segunda-feira (20) para entrega de conjuntos habitacionais

Tarcísio Freitas esteve em Cubatão na manhã desta segunda-feira (20) para entrega de conjuntos habitacionais | Renan Lousada/DL

Durante a entrega de moradias em Cubatão, na manhã desta segunda-feira (20), o governador Tarcísio de Freitas respondeu às críticas de moradores e lideranças políticas que vêm se manifestando contra a implantação do sistema de pedágio free flow — tecnologia que elimina as praças físicas e cobra automaticamente pelo trecho percorrido.

O governador reconheceu que há resistência em algumas regiões, mas afirmou que a transição é inevitável e vem sendo bem-sucedida onde já foi aplicada.

“É normal. Estamos falando de uma mudança de tecnologia, e toda mudança assim traz incertezas”, disse. “Nos locais onde o free flow já está funcionando, está sendo um sucesso: baixíssima evasão, usuários satisfeitos”, garantiu.

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Tarcísio citou os casos de rodovias onde o novo modelo já opera com boa aceitação. Ele destacou que os benefícios ficarão ainda mais evidentes quando for possível remover a praça de pedágio tradicional da Imigrantes, uma das mais movimentadas do Estado.

“As pessoas vão perceber a diferença quando tirarmos a praça de pedágio da Imigrantes. Quando for possível fazer a travessia sem aquela interrupção toda, teremos o que há de mais moderno no mundo”, afirmou.

O governador defendeu o sistema como um instrumento de justiça tarifária, já que o pagamento será proporcional à distância percorrida, e não mais fixo para todos os motoristas.

“O free flow permite cobrar pelo quilômetro rodado, de acordo com o uso real da rodovia, e dá mais flexibilidade para ajustar os pontos de cobrança”, explicou.

Tarcísio também mencionou alterações realizadas no processo após diálogo com comunidades locais, entre elas o bairro Caruara, em Santos, e trechos da SP-55, na chegada a Miracatu, no Vale do Ribeira.

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“Fizemos alguns ajustes normais, atendendo o pessoal das comunidades, e também na SP-55. Tiramos o posto de Itariri e Pedro de Toledo”, disse.

Segundo o governador, as mudanças buscam equilibrar o impacto local e ao mesmo tempo melhorar a fluidez do tráfego de longa distância, criando uma rota alternativa para o Porto de Santos.

“A SP-55 era algo muito aguardado: vai beneficiar quem circula entre Praia Grande, Itanhaém e Mongaguá, com vias marginais e 22 passagens de pedestres ligando serra e litoral. A rodovia vai ganhar iluminação pública, ciclovia — a maior da América Latina — e muito mais segurança e fluidez”, completou.

Apesar das declarações, moradores de diversas regiões do Estado têm se posicionado contra o modelo de cobrança automática, alegando que os novos pórticos podem onerar deslocamentos curtos e rotineiros dentro das cidades, especialmente entre bairros lindeiros às rodovias.

Parlamentares da região, como o deputado estadual Caio França, também cobram do governo maior transparência nos critérios de tarifação e revisão dos pontos de cobrança, para evitar prejuízos à mobilidade e à economia local.