Toninho Véspoli: ‘Tenho 52 anos e nunca vi tamanho retrocesso social’

Vereador em São Paulo e candidato a deputado estadual pelo PSOL, ele afirma que as medidas adotadas na Capital e no Brasil, pelos governos PSDB e MDB, colocaram famílias inteiras em situação de rua

Vereador em São Paulo e candidato a deputado estadual pelo Partido Solidariedade e Liberdade (PSOL), Toninho Véspoli afirma que as medidas adotadas na Capital e no Brasil, pelos governos PSDB e MDB, colocaram famílias inteiras em situação de rua. Confira os melhores trechos da entrevista.    

Diário – Márcio França, João Dória e Paulo Skaf são os que estão na frente para o Governo de São Paulo. Haverá alguma grande mudança?

Toninho Véspoli – Vai mudar porque o povo paulista tem outras opções, como a Professora Lisete Arelaro, candidata pelo nosso partido. Ela tem 50 anos só de magistério. Ela tem história e compromisso. A população, antes de votar, tem que pesquisar o candidato. O João Dória, por exemplo, foi prefeito de São Paulo por alguns meses e a gente viu que mudou e para pior. Era difícil encontrá-lo na Prefeitura. Dória era o prefeito fake. 

Diário – Como fake?

Véspoli – Nas páginas dele, nas redes sociais, tudo acontece, tudo é lindo, funciona. Mas, na realidade, nunca a cidade esteve tão esburacada, tão suja, tão mal administrada. Se você comparar o quanto a cidade recolheu de resíduos sólidos no final da gestão anterior (de Fernando Haddad) e na dele, vai perceber a diferença.

Diário – Há outros exemplos?

Véspoli – Muitos. O Tribunal de Contas está fazendo um estudo em que mostra que na saúde, por exemplo, a gestão Dória não diminuiu em nada as filas de espera de exames médicos. Até o uniforme de gari, que ele usou para fazer marketing, tem cara de fake, pois parece que acabou de sair do fornecedor. É para ficar 20 segundos em frente às câmeras e depois tirar. Não se discute o serviço executado e nem salários e as condições as quais os trabalhadores da limpeza estão submetidos. 

Diário – Será que a população de São Paulo percebe isso?

Véspoli – Pesquisas apontam que 55% dos paulistanos não votariam no Dória hoje. Os índices que apontam ele na frente deve-se muito ao interior do Estado, onde as pessoas não conhecem a realidade da cidade de São Paulo. O fim da Cracolândia, outro exemplo, não existiu. Ela apenas foi transformada em vários núcleos, que se espalharam. O mesmo ocorreu com a situação dos moradores de rua. Hoje, famílias inteiras estão morando nas ruas da Capital, por conta do Governo Brasileiro, que promoveu medidas absurdas e uma reforma equivocada, como a trabalhista. Tenho 52 anos e nunca vi tamanho retrocesso social. Muraram 100 itens da CLT. O que se negocia valer mais do que a lei é colocar a classe trabalhadora numa vulnerabilidade imensa. Voltamos ao mapa da miséria. 

Diário – Quais serão suas bandeiras na Assembleia?

Véspoli – Sou professor da rede municipal e a Educação será minha prioridade. Ela foi destruída nesses 24 anos do PSDB em São Paulo. 

Diário – Tem como regionalizar o orçamento estadual?

Véspoli – Orçamento tem que ser debatido em audiências públicas. Quando o orçamento é regionalizado, o controle social é exercido e, por consequência, diminui-se a possibilidade de corrupção. 

Diário – O senhor acredita na promessa de Márcio França de início da travessia seca entre Santos e Guarujá?

Véspoli – Passaram-se quatro anos da inauguração da maquete e gastou-se R$ 53 milhões em projeto. Eu acho difícil que isso ocorra e a população da Baixada acredito que também.

Diário – A região só recebeu R$ 9,3 bilhões dos R$ 62,9 bilhões que deveriam ser repassados nos últimos oito anos. Tem como questionar isso na Assembleia?

Véspoli – É uma de nossas discussões dentro do PSOL. Não adianta receber dinheiro das regiões metropolitanas e não distribuir de forma eficiente. O Estado tem um orçamento de R$ 270 bilhões que poderia ser ainda maior se grandes empresários não fossem isentos de impostos. As isenções chegam a R$ 21 bilhões, dinheiro que deveria retornar às regiões, como a Baixada. 

Diário – Quase tivemos uma termoelétrica em Peruíbe e o Estado quer a transposição do Rio Itapanhaú, em Bertioga. O senhor vai brigar contra esses equívocos ambientais?

Véspoli – O PSOL se orgulha de estar sempre à frente com relação às questões ambientais, inclusive da região. O lucro não pode estar acima de tudo. O Governo está blindado, inclusive pelo Judiciário. É preciso uma CPI na Cetesb, por exemplo, que aprova e libera projetos na área ambiental. 

Diário – O Governo do Estado poderia melhorar a saúde?

Véspoli – Fo aprovada, em Brasília, a Emenda Constitucional 95 que congela investimentos na Educação e na Saúde. E isso vem causando problemas nos estados. O setor privado ainda vem interferindo nos serviços públicos. Então, se não houver uma mudança, a saúde vai piorar ainda mais. Foi uma maldade feita contra a população.

Diário – faltam 12 mil policiais no Estado enquanto 81 vivem de bico. Segurança Pública é calamitosa?

Véspoli – Temos que ter uma polícia de inteligência e mais humanizada. A população não tem que ter medo da polícia. As delegacias das mulheres não abrem nos finais de semana e feriados. É preciso mudar a mentalidade. O PSOL vai discutir a segurança sob outra perspectiva.