‘Túnel Santos-Guarujá vai transformar a mobilidade da Baixada’, diz Rafael Benini

Secretário de Parcerias em Investimentos detalha prazos, impactos sociais e ambientais, logística da obra e perspectivas de desenvolvimento econômico com obra histórica

Rafael Benini, secretário de Parcerias em Investimentos do Estado, falou com exclusividade ao Diário do Litoral

Rafael Benini, secretário de Parcerias em Investimentos do Estado, falou com exclusividade ao Diário do Litoral | Divulgação/GovernoSP

O contrato entre o Governo do Estado de São Paulo e a construtora portuguesa Mota-Engil, vencedora do leilão para a construção do túnel imerso Santos–Guarujá, deve ser assinado entre 15 de dezembro deste ano e 15 de janeiro de 2026.

O túnel Santos–Guarujá é uma das obras de infraestrutura mais esperadas da Baixada Santista, orçada em R$ 6,8 bilhões, sendo que R$ 5,14 bilhões serão financiados em partes iguais pela União e pelo Governo Paulista, dentro de um modelo de parceria público-privada (PPP).

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Em entrevista exclusiva ao Diário do Litoral, o secretário de Parcerias em Investimentos do Estado, Rafael Benini, detalhou os próximos passos da obra, prazos, impactos sociais, ambientais e econômicos, além da logística e da previsão de mão de obra local.

Diário do Litoral – Vamos falar um pouquinho sobre o túnel? O contrato com a Mota-Engil vai ser assinado em dezembro, correto?

Rafael Benini – É uma obra importante e a gente está feliz de fazer parte desse processo que agora vai sair do papel. Hoje oficialmente a Mota-Engil foi declarada vencedora. Agora há uma pequena burocracia de homologação, que deve durar mais uma semana. Depois disso, a concessionária tem de 30 a 60 dias para assinar o contrato, dependendo de documentos e registros que precisam ser feitos, como inscrição estadual e registro na Receita Federal. Tudo indica que poderemos assinar entre o final de dezembro e janeiro.

Diário – E depois de assinado o contrato, quais são os próximos passos?

Rafael Benini – O primeiro ano será dedicado ao projeto executivo e à obtenção da licença de instalação. O Estado já possui um projeto executivo antigo de 2003 e a licença prévia, incluindo todos os requisitos ambientais. Agora a concessionária vai revisar o projeto, propor ajustes, obter licenças municipais e preparar a Doca Seca, onde os elementos do túnel serão fabricados. A expectativa é que, se houver aceleração, algumas intervenções viárias comecem em 2027.

Diário – A empresa pode propor mudanças no traçado ou no projeto executivo?

Rafael Benini – Sim, o modelo de PPP traz o privado para melhorar o projeto, tornando-o mais eficiente e econômico. Eles têm liberdade para alterar o projeto, desde que respeitem parâmetros técnicos, como o tempo de viagem. O objetivo é minimizar desapropriações, mas algumas áreas precisarão ser afetadas. O Estado reservou cerca de R$ 500 milhões para compensar adequadamente as pessoas impactadas.

Diário – E como o governo está tratando os aspectos técnicos e logísticos, como a fabricação dos elementos do túnel e a doca seca?

Rafael Benini – Temos que obter pequenas vitórias antes de iniciar a obra em si. O contrato prevê incentivos para obras de infraestrutura viária urbana, que mesmo sem o túnel já trarão benefícios a Santos e Guarujá, como novas ligações viárias. A fabricação do túnel envolve seis elementos, mas a concessionária pode reduzir para quatro, diminuindo o tempo de fabricação e o período de parada do canal do Porto de Santos, entregando a obra antes à população.

Diário – Como estão sendo tratados os impactos sociais e ambientais?

Rafael Benini – Todos estão contemplados no licenciamento ambiental. Houve audiências públicas em Santos e Guarujá e consultas com a CETESB. Mantemos diálogo constante com as prefeituras e com a Autoridade Portuária, incluindo convênios que definem responsabilidades. O objetivo é evitar problemas e garantir uma execução eficiente.

Diário – Existe alguma exigência de capacitação ou contratação de mão de obra local?

Rafael Benini – Não é exigido pelo contrato, mas historicamente as empresas buscam mão de obra local por ser mais econômica e adequada à realidade regional. Na Baixada Santista existe mão de obra qualificada para participar do projeto.

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Diário – Qual é a expectativa do governo em relação à mobilidade e ao desenvolvimento econômico?

Rafael Benini – O túnel vai reduzir o tempo de trajeto entre Santos e Guarujá, beneficiando trabalhadores, turistas e comércio. Haverá valorização de imóveis, instalação de novos comércios e escritórios, e integração com projetos como VLT, terceira pista do Imigrantes e melhorias no Porto de Santos. A longo prazo, até 2035, o impacto logístico e econômico será gigante.

Diário – Como o governo planeja acompanhar a obra e informar a população?

Rafael Benini – Estamos criando o site www.tunelsantosguaruja.sp.gov.br, onde a população poderá acompanhar fotos, imagens da fabricação dos elementos do túnel e enviar sugestões ou reclamações. Como grande parte do túnel será construída dentro de uma doca, é importante mostrar o andamento da obra à população.

Diário – Sem dúvidas, uma obra muito esperada para a população do Litoral. O que o Governo tem a dizer?

Rafael Benini – Apenas reforçar que estamos atentos para que a obra ocorra de forma transparente, minimizando impactos e garantindo participação da população. A obra é histórica para a Baixada Santista e transformará a mobilidade e o desenvolvimento regional.