O veganismo, estilo de vida que exclui os produtos de origem animal da alimentação, do vestuário e dos itens de higiene e beleza, está atraindo cada vez mais adeptos. No Dia Mundial do Veganismo, comemorado hoje, a Reportagem do Diário do Litoral entrevistou santistas que viram nessa vertente uma oportunidade para empreender.
Lucas Fernandes Di Gianni, 33 anos, e sua esposa, Dalila Shibata Requel, 33, decidiram criar o empório All Vegan pela falta de opções para esse público em Santos.
Gerente de logística e arquiteta, eles largaram suas carreiras para empreender. “A gente tinha dificuldade de consumir produtos por aqui, por isso decidimos abrir nosso próprio negócio. Minha mulher é a idealizadora e principal motivo do sucesso da loja”, conta Lucas. Ela é vegana há 18 anos, e ele há cinco.
O empório está de mudança pela terceira vez. Visando uma estrutura maior e melhor para atender os clientes, o All Vegan deve reabrir ainda no começo de novembro, na Rua Conselheiro Lafayete, 76, no Embaré.
Uma das principais novidades é que o cardápio agora vai incluir refeições diárias, além de lanches, salgados, doces e porções.
MASTER VEGGIE.
Tassio Ricardo Cardoso Silva, 30 anos, trabalhava há três anos em uma empresa do ramo de navegação quando foi demitido, em 2017. Uma semana depois, estava fazendo feijoada vegana no evento Caiçara Vegan Fest, em Santos. Foi assim que a Master Veggie nasceu.
Hoje, a empresa – gerenciada por ele e pela namorada, Jenifer Mary Soares dos Santos – possui carrinho de pastel, delivery de lanches e marmitas congeladas. No último dia 24, a Master Veggie inaugurou um novo equipamento, um container de lanches, na Av. Dr. Epitácio Pessoa, 739, na Ponta da Praia.
Com nove opções de lanches mais um especial do mês, o espaço abre de terça a sábado, das 17h às 23h.
Vegano há dois anos, Tassio acredita que o veganismo está em expansão em todos os lugares. “A ideia é ter opções veganas para adeptos do veganismo ou pessoas dispostas a experimentar”, comenta. Com a Nova Ponta da Praia, ele acredita que o local se tornará um novo polo em Santos, além de ser estratégico para atrair turistas, por conta do Porto.
À frente da Master Veggie junto com Tassio, Jenifer Mary, 24 anos, também tem sua própria empresa, a Ynaê Confeitaria. O negócio começou há cerca de um ano, para suprir a falta de opções de doces veganos.
“O foco é a venda de bolos inteiros, mas também faço festas e nos eventos da Master Veggie vendemos os doces por pedaços”, explica. O quilo de um bolo confeitado custa R$ 70 e de um simples, R$ 35. Já os pedaços são vendidos por R$ 10.
DOM PEPINO.
Se os exemplos acima vieram de veganos que sentiam falta de opções em Santos, o dono do restaurante Dom Pepino é exceção. Douglas Requena, 52 anos, não é vegano, mas percebeu que ir por essa vertente poderia ser interessante.
“Conheci alguns restaurantes veganos em São Paulo e achei a proposta diferente, foi assim que surgiu a ideia de abrir o Dom Pepino. Todos fazem o tradicional, queria fazer diferente”, comenta.
O restaurante, situado na Rua Vasconcelos Tavares, 10, no Centro, abriu as portas em março de 2019, e funciona de segunda a sexta, das 11h às 15h.
O nome do estabelecimento surgiu após uma brincadeira. “Contei para um amigo que o nome do restaurante que funcionava antes nesse endereço era Dom Custódio e ele falou brincando para que eu colocasse o nome de Dom Pepino, eu gostei e ficou”.
De acordo com ele, boa parte do público não é vegano, mas se interessa por comidas mais saudáveis. “A receptividade está sendo muito boa. São pratos saudáveis, sem lactose, muitos sem glúten”, conta.
O espaço recebe cerca de 70 pessoas diariamente. A cada 15 dias, aos sábados, o Dom Pepino conta com festival japonês vegano.
O buffet self-service custa R$ 24,50, mas quem preferir pode optar pelo quilo (R$38,90). “Ninguém nunca vai pagar mais que R$ 24,50, porque se o prato pesar mais, entra automaticamente no buffet”, esclarece.
Apesar de ainda não ser vegano, Requena comenta que boa parte da sua alimentação não tem ingredientes de origem animal e que pretende se tornar vegano. “Quero lutar para mostrar que dá para comer bem sem ter comidas de origem animal no prato”, conclui.
CAIÇARA VEGAN FEST.
Fomentar o veganismo, o trabalho de pessoas que produzem de forma ética e politizar o tema. Esse é o objetivo do Caiçara Vegan Fest, conforme uma das organizadoras voluntárias do evento, a veterinária Amanda Corrochano, 32 anos.
O evento, que existe desde 2015, realiza sua 15ª edição no dia 8 de dezembro, na Estação da Cidadania. Sempre com temas diferentes, o 15º Caiçara Vegan Fest abordará o feminismo.
“Priorizaremos mulheres como expositoras para fomentar o trabalho delas, além de praticar valores mais acessíveis nos stands. Teremos rodas de conversa e atividades em torno do tema e na intersecção da luta feminista ao movimento vegano.”
Segundo Amanda, normalmente, acontecem três grande edições por ano, além de mini eventos, mas a intenção é ampliar cada vez mais para fomentar o veganismo na Baixada Santista.
