Nesta terça-feira (29), a Polícia Federal deflagrou a Operação Narco Vela, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada no tráfico internacional de drogas. Ao todo, a Justiça Federal determinou o bloqueio e a apreensão de bens que, somados, chegam à casa de R$ 1,32 bilhão.
A atuação ilegal do grupo tinha como principais destinos os continentes europeu e africano. Segundo a própria PF, os entorpecentes eram transportados por embarcações com capacidade de travessia oceânica, como veleiros e barcos equipados com tecnologia de mapeamento por satélite.
Organização
Na manhã desta terça-feira, a Polícia Federal concedeu entrevista à imprensa para divulgar mais detalhes sobre a operação.
De acordo com Osvaldo Scalezi Júnior, delegado da PF e responsável pela Narco Vela, a organização criminosa era dividida em diferentes núcleos.
O principal deles estava sediado em Santos, no litoral de São Paulo, e era responsável por toda a logística de distribuição das drogas. “O núcleo mais atuante e estruturado era o da Baixada Santista. Ele cuidava do armazenamento e do transporte dos entorpecentes”, explicou Scalezi.
Outro núcleo da quadrilha era encarregado das negociações com países produtores de cocaína, como Peru, Colômbia e Bolívia. Essa mesma célula também se responsabilizava pela comercialização da droga e pela contratação das embarcações usadas nas travessias internacionais.
Números da operação
Mais de 300 policiais federais e 50 militares do estado de São Paulo participam da operação, que cumpre 4 mandados de prisão preventiva, 31 de prisão temporária e 62 mandados de busca e apreensão. Entre os bens apreendidos está um carro de luxo localizado em Riviera, Bertioga.
A ação ocorre em diversos estados brasileiros, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Maranhão, Pará e Santa Catarina. Até o momento, 23 pessoas foram presas. A operação também conta com cooperação internacional, com desdobramentos nos Estados Unidos, Itália e Paraguai.
Como já mencionado, além das prisões e buscas, a Justiça Federal determinou o bloqueio e a apreensão de bens até o valor de R$ 1,32 bilhão — incluindo uma Ferrari 296 GTB.
O início da investigação
A investigação teve início após a DEA (Drug Enforcement Administration), agência antidrogas dos Estados Unidos, comunicar às autoridades brasileiras que um veleiro nacional foi apreendido com três toneladas de cocaína, em fevereiro de 2023.
A embarcação foi interceptada nas proximidades do continente africano. O episódio serviu como ponto de partida para a investigação, que conseguiu conectar apreensões anteriores à atuação da organização criminosa.
Além da DEA, também participaram da operação a Marinha dos Estados Unidos, a Guarda Civil Espanhola e a Marinha Francesa.
