O clima na última sessão de 2016 da Câmara de São Vicente foi de despedida. Em 11 dos 15 gabinetes, os funcionários arquivam documentos e preparam a saída para dar lugar aos que ocuparão os espaços nos próximos quatro anos. Apenas quatro vereadores, reeleitos, seguirão com seus mandatos no Legislativo vicentino. Ontem (15), na pauta da última reunião deste ano, a votação do orçamento de 2017, de suplementações orçamentárias e de alguns projetos apresentados pelos parlamentares.
“Hoje (ontem) encerra-se um ciclo da minha vida, onde um favelado por quase 30 anos tornou-se vereador da Primeira Câmara das Américas, em 2008, com 3.400 votos, e, por oito anos consecutivos, fez uso desta tribuna para defender os interesses do povo vicentino”, disse o vereador Juracy Francisco, o Jura (PRB), que fez um dos discursos mais incisivos durante a última sessão. Ele não foi reeleito e é um dos 11 parlamentares que deixarão o cargo no próximo dia 31.
Ainda durante o discurso, assim como outros vereadores na mesma condição, Jura destacou as ações de seus dois mandatos na Câmara e justificou a não reeleição. “Termino com o reconhecimento da Justiça do resultado eleitoral, considerando não o trabalho individual do vereador, mas a situação caótica e vexatória a que este governo – considerado pela população como o pior da história de São Vicente, com o apoio da maioria da composição da Câmara que hoje encerra a Legislatura 2013/2016 – expôs a nossa cidade e o nosso povo”, afirmou.
A última sessão do ano durou pouco mais de uma hora. Os quase 300 assentos do plenário estavam ocupados por assessores e categorias de servidores públicos que buscavam respostas para suas demandas. Entre os discursos e as votações dos projetos, os vereadores presentes cumprimentaram-se e agradeceram funcionários da Casa.
Dos onze vereadores que deixam a Câmara, quatro disputaram a Prefeitura – Alfredo Martins (PT), Fernando Bispo (Pros), Júnior Bozzella (PSD), Paulinho Alfaiate (SD) – e dois não tentaram a reeleição – Ferrugem (SD) e Rafael Barreto (PPS).
2017
A próxima legislatura, que tomará posse no próximo dia 1º, terá como um dos primeiros desafios a análise de projetos que entraram na Câmara Municipal nas últimas semanas de 2016 e não foram à votação. Boa parte das propostas está relacionada à gratificações e reorganização salarial de algumas categorias da Administração. Entre elas, a dos médicos e dos fiscais do meio ambiente e de obras, esta última presente na sessão realizada ontem.
“Não será um desafio, é uma obrigação da Câmara buscar soluções para as questões dos servidores públicos e da população em geral. Acho que o primeiro desafio será garantir o pagamento dos salários. A gente não sabe nem se eles receberão o 13º”, afirmou o vereador Léo Santos (PSB), que deve assumir a partir de janeiro seu quarto mandato.
No final da sessão, uma comissão de fiscais do meio ambiente e de obras se reuniram com os vereadores. Eles expuseram os detalhes do projeto que visa reorganizar as remunerações da categoria. Participaram da reunião os vereadores Léo Santos (PSB), Perivaldo do Gás (PSB), Alfredo Moura (Pros), Alfredo Martins (PT) e Paulinho Alfaiate (SD).
Presidente avalia gestão e destaca concurso público
O próximo presidente da Câmara ainda não está definido. As apostas se concentram no novato Wilson Cardoso (PSB). Enquanto não se tem o nome do próximo comandante do Legislativo vicentino, que oficialmente será escolhido no dia 1º de janeiro, o reeleito vereador Alfredo Moura (Pros), que segue na função até o próximo dia 31 comemora as ações executadas em sua gestão.
“Dentro da Câmara não se fazia concurso público há 20 anos. Abrimos concurso público e chamamos 34 funcionários. Fizemos a reforma administrativa. Devolvemos no primeiro ano R$ 3 milhões aos cofres da Prefeitura. Esse ano também haverá devolução e será feita no início de 2017 ao prefeito Pedro Gouvêa. A Câmara deu uma demonstração de que mesmo com poucos recursos soube administrar e ainda devolver para a Prefeitura o que era devido”, destacou Moura.
O presidente da Câmara também fez uma análise dos últimos quatro anos. “Foram muito difíceis. Foi uma das câmaras mais sacudidas a nível da mídia com notícias negativas e isso não é muito bom. Mas também acho que foi uma das câmaras que mais produziu. Aqui nessa sala de comissões mais de 40 reuniões eram feitas toda semana. Reuniões de comissões de moradores, servidores. Avançamos mesmo com todos os problemas. Na última sessão, tivemos a preocupação de continuarmos 2017 fazendo com que a cidade de São Vicente volte ao destaque que ela merece”, afirmou.
Moura também comentou os desafios da próxima gestão. “O prefeito que vai assumir Pedro Gouvêa terá de ter muita habilidade junto com o seu novo secretariado. Não podemos também fazer besteira. Temos que ter calma para poder dar os passos corretos. A gente tem que dar uma enxugada na máquina e rever contratos e convênios para que possamos nos primeiros três meses se adequar”, ressaltou.
