Você rejeita ligações desconhecidas? Especialista alerta por que isso pode piorar o spam

Gesto automático usado por milhões de pessoas pode confirmar que o número está ativo e atrair ainda mais ligações indesejadas

Em um tópico publicado na rede social X, a pesquisadora afirmou que 'cada vez que você rejeita uma chamada, você confirma que seu número está ativo', o que faz com que novas ligações se multipliquem

Em um tópico publicado na rede social X, a pesquisadora afirmou que 'cada vez que você rejeita uma chamada, você confirma que seu número está ativo', o que faz com que novas ligações se multipliquem | ImageFX

O telefone toca, o número é desconhecido e a reação é quase instintiva: apertar o botão de ‘rejeitar’. O que parece uma forma rápida de evitar golpes e aborrecimentos pode, na prática, estar alimentando exatamente o problema.

Segundo Nona, professora e especialista em inteligência artificial, esse simples gesto funciona como um sinal claro para sistemas de spam de que há alguém do outro lado da linha.

Em um tópico publicado na rede social X, a pesquisadora afirmou que ‘cada vez que você rejeita uma chamada, você confirma que seu número está ativo’, o que faz com que novas ligações se multipliquem. A lógica é direta: para campanhas automatizadas de telemarketing e golpes, não é necessário convencer a vítima — basta saber que o número existe e responde.

Como o spam ‘aprende’ com o usuário

No universo dos call centers e, principalmente, dos discadores automáticos, cada tentativa de ligação gera um registro. O sistema identifica se o telefone chamou, se houve sinal de ocupado, se a chamada foi desligada rapidamente ou se alguém atendeu. Mesmo sem diálogo, qualquer interação pode ser interpretada como validação do número.

Embora nem todas as operações classifiquem esses dados da mesma forma, o princípio destacado por Nona está alinhado com práticas clássicas de segurança digital: quanto menos interação com contatos suspeitos, menos informações são oferecidas para quem tenta explorar falhas ou otimizar campanhas de spam.

O problema começa antes da ligação

A especialista chama atenção para um ponto pouco percebido pelos usuários. O processo não se inicia quando o telefone toca. Ao se cadastrar em aplicativos, lojas virtuais ou serviços online, o número de telefone pode acabar circulando em listas comerciais e mercados de dados, muitas vezes associado a outras informações do perfil do usuário.

Nesse contexto, cada reação — inclusive rejeitar uma chamada — pode servir como um dado adicional para sistemas que cruzam informações e ajustam estratégias. O resultado é um ciclo de ligações cada vez mais frequentes.

‘Menos é mais’: duas frentes para reduzir o incômodo

De acordo com Nona, a melhor forma de lidar com o problema envolve duas estratégias complementares. A primeira é imediata: não retornar ligações de números desconhecidos, não interagir com mensagens automáticas, evitar apertar teclas para ‘cancelar’ cadastros suspeitos e utilizar os filtros de chamadas oferecidos pelo próprio aparelho.

A segunda é administrativa e exige mais paciência, mas tende a ser mais eficaz a longo prazo. Ela inclui revogar consentimentos concedidos a serviços, aderir a programas de exclusão de publicidade e registrar reclamações formais quando necessário. Pode não trazer a sensação imediata de alívio, mas atua na raiz do problema ao cortar o acesso aos dados.

A recomendação final da especialista é clara: no combate ao spam telefônico, o silêncio costuma ser a resposta mais eficaz.